"Tem que ser feito de maneira correta e na dose certa", diz Haddad sobre ciclo dos juros
"A política monetária tem que ter muita sabedoria. Você não pode jogar o país em uma recessão”, alertou
247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), defendeu nesta sexta-feira (7) a necessidade de uma condução cuidadosa da política monetária para evitar efeitos adversos na economia brasileira. Em entrevista à Rádio Cidade, de Caruaru (PE), Haddad comparou o controle da taxa de juros ao uso de medicamentos, destacando a importância de dosar corretamente as medidas para evitar tanto a inflação quanto uma desaceleração excessiva do crescimento econômico.
“[Os juros ajudam] depende da hora e depende da dose. Se você está tendo um repique inflacionário, você precisa corrigir. O remédio para corrigir a inflação é, muitas vezes, aumentar a taxa de juros para inibir a alta de preços. Agora, tudo isso tem que ser feito de maneira correta e na dose certa. Isso é que nem antibótico. Você não pode tomar uma cartela inteira em um dia, nem pular horário e nem tomar nem menos nem mais do que você precisa”, afirmou.
No último dia 29, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu aumentar a taxa básica de juros, a Selic, em 1 ponto percentual, elevando o custo dos empréstimos a 13,25% ao ano. A decisão foi unânime. Foi a primeira reunião sob o comando do novo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e a quarta elevação consecutiva da Selic. Na ocasião, Haddad criticou a decisão: "a economia, em 2025, será naturalmente mais lenta se a política de juros permanecer neste nível elevado". Já o presidente Lula (PT), quando questionado, disse entender que a nova administração do Banco Central não poderia dar um "cavalo-de-pau" na política monetária: “tivemos um aumento do dólar porque tivemos um Banco Central totalmente irresponsável, que deixou uma arapuca que a gente não pode desmontar de uma hora para outra. A gente não pode dar um cavalo-de-pau em um navio do tamanho do Brasil".
Na entrevista, Haddad reforçou que a política monetária precisa ser conduzida com responsabilidade, equilibrando a necessidade de controlar a inflação com a preservação do crescimento econômico. Segundo ele, medidas drásticas podem comprometer o desenvolvimento do país. “Você não pode deixar o problema de crescimento da economia, não pode jogar o país em uma recessão, não pode deixar também ter um problema grave de transações correntes com o exterior. Às vezes você aumenta [os juros] para desaquecer um pouco a economia que, se estiver muito aquecida, os preços vão aumentar. Então, em economia, não existe um remédio para toda hora. Isso tudo é você conduzindo um organismo para uma estabilidade melhor”, explicou o ministro.
Correção de distorções fiscais - Durante a entrevista, Haddad também mencionou os esforços do governo para reequilibrar as contas públicas e reduzir o déficit fiscal. Ele criticou gestões anteriores por concederem isenções fiscais a setores privilegiados, sem a devida compensação para os cofres públicos.
“No ano passado, nós já corrigimos as distorções do déficit público. O déficit acumulado nos dois governos anteriores foi de quase R$ 2 trilhões. A dívida pública subiu muito desde que o presidente Lula deixou a Presidência da República. Então, estamos hoje corrigindo essa questão do déficit público”, disse.
O ministro apontou que, enquanto a faixa de isenção do Imposto de Renda foi ampliada para trabalhadores, o governo também adotou medidas para tributar grandes patrimônios que antes escapavam da cobrança de impostos.
“Havia muito benefício fiscal para empresário rico. Os ricos foram muito favorecidos com isenção de impostos e a gente está corrigindo isso. Quem tinha um fundo em paraíso fiscal não pagava imposto no Brasil. E o governo anterior não teve a coragem de cobrar imposto de quem tinha fundo em paraíso fiscal. O presidente Lula corrigiu isso. Ao mesmo tempo em que aumentava a faixa de isenção do Imposto de Renda, ele cobrava, para compensar, de milionários e bilionários que não pagavam e que estavam com dinheiro fora do Brasil”, concluiu Haddad.
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