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    "Donald Trump é um chantagista, um agente do caos", diz pesquisador

    Claudio Platenik Pitillo analisa as estratégias geopolíticas do novo governo norte-americano e os impactos para a América Latina

    (Foto: REUTERS/Nathan Howard | Divulgação )
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    247 - Em entrevista ao programa Boa Noite 247, o historiador e pesquisador João Claudio Platenik Pitillo, pós-doutor em História Política pela UERJ e integrante do Núcleo de Estudos da América e do Grupo de Estudos 9 de Maio, traçou uma análise detalhada sobre os desdobramentos da política internacional sob a liderança de Donald Trump. Segundo Pitillo, a recente reeleição do republicano nos Estados Unidos marca uma mudança significativa na abordagem do país em conflitos globais, especialmente na guerra da Ucrânia.

    Para o historiador, Trump não tem qualquer interesse genuíno em promover a paz. "A última coisa que podemos imaginar é que Trump é um mensageiro da paz, preocupado com o povo ucraniano ou russo. Ele tem objetivos práticos e realistas, próximos à realpolitik", afirmou. A estratégia do presidente está centrada em "fazer exatamente o contrário do que Joe Biden e os democratas fizeram", destacando que a guerra na Ucrânia representa um alto custo financeiro sem perspectiva de vitória para os Estados Unidos.

    Pitillo ressaltou que o plano de Trump inclui afastar a Rússia da China, colocar o ônus do fracasso da guerra nos democratas e transferir o prejuízo para os europeus. "Trump sabe que a crise na Europa atinge os liberais e fortalece a extrema-direita e os fascistas europeus. Os discursos mais racionais contra a guerra têm vindo desses setores", pontuou. Segundo o pesquisador, a escalada do conflito apenas consolidou a aproximação entre Moscou e Pequim, fortalecendo os BRICS e impulsionando debates sobre a substituição do dólar em transações internacionais.

    A situação da Ucrânia também foi abordada pelo especialista, que descreveu um cenário devastador: "O que vai sobrar desse país é lamentável. A Ucrânia não recuperou a Crimeia, perdeu territórios e ficou em ruínas. Homens em idade produtiva estão mortos, mutilados ou exilados, e o país dependerá de créditos para sua reconstrução". Ele acrescenta que a economia ucraniana foi privatizada e que sua população enfrenta "apagões diários, um sistema de transporte colapsado e uma indústria voltada exclusivamente para a guerra".

    Outro ponto central da entrevista foi o impacto da política tarifária de Trump para a América Latina. Segundo Pitillo, o republicano aposta em tarifas protecionistas para desestabilizar o BRICS e pressionar países emergentes. "Trump é um chantagista, um agente do caos. Ele acredita que os EUA retomarão sua hegemonia pela força, utilizando o dólar como instrumento de barganha", disse o pesquisador. Nesse contexto, o Brasil está no "olho do furacão", devido à sua dependência comercial com os EUA e sua exportação concentrada em commodities de baixo valor agregado.

    Pitillo alerta que a estratégia brasileira deve ser de cautela e diplomacia. "O presidente Lula está certo em evitar o confronto direto. Trump quer esse embate, especialmente no campo das redes sociais, para fortalecer a extrema-direita brasileira". O historiador enfatiza a importância de o Brasil diversificar suas relações comerciais, criando alternativas para reduzir a dependência dos EUA. "Essa engenharia não é simples, mas é necessária. Precisamos encontrar novos mercados, novos parceiros e evitar as armadilhas de Trump", concluiu.

    Por fim, o pesquisador traçou um retrato preocupante do atual cenário global. "Trump representa uma mentalidade imperialista nostálgica. Ele personifica a crença de que os EUA precisam voltar a 'mandar no mundo'. Esse discurso encontra eco em setores da sociedade estadunidense que sentem falta da antiga supremacia econômica e política do país. E isso nos coloca em uma posição frágil", avaliou. Para Pitillo, a conjuntura exige estratégias inteligentes e um alto grau de desconfiança nas relações com os Estados Unidos. Assista: 

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