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      OMS "lamenta" decisão dos EUA de deixar a organização e espera "diálogo construtivo" com Trump para "manter a parceria"

      Trump acusa a OMS de má gestão durante a pandemia de Covid-19 e de favorecer a China

      Donald Trump (Foto: Reuters)
      Guilherme Levorato avatar
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      247 - A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu uma nota oficial nesta terça-feira (21), lamentando o anúncio dos Estados Unidos de que pretendem deixar a entidade. O presidente Donald Trump formalizou a decisão em um decreto, alegando má gestão da pandemia de Covid-19 e favorecimento à China pela organização. A saída deve ocorrer em 12 meses, encerrando uma parceria histórica de mais de sete décadas entre os EUA e a OMS.

      “Os Estados Unidos foram membros fundadores da OMS em 1948 e, juntos, salvamos inúmeras vidas e protegemos pessoas de ameaças à saúde. Esperamos que reconsiderem essa decisão e estamos ansiosos por um diálogo construtivo para manter a parceria”, declarou a entidade.

      Impactos globais e cortes no financiamento - Os Estados Unidos são o maior financiador da OMS, contribuindo com cerca de 18% do orçamento global, equivalente a US$ 6,8 bilhões no biênio 2024-2025. A interrupção imediata desse aporte ameaça programas vitais de saúde pública, como o combate à tuberculose, HIV/AIDS e emergências sanitárias em países vulneráveis.

      A saída dos EUA ainda prejudica as negociações sobre o tratado global de pandemias, que visa prevenir crises sanitárias semelhantes à da Covid-19.

      Trump acusa favorecimento à China - Trump, que já havia tentado retirar os EUA da OMS em 2020, reafirmou sua acusação de que a entidade favoreceu a China durante a pandemia. Segundo o presidente, a OMS teria sido “conivente” com supostos esforços de Pequim para esconder a origem do coronavírus. “A OMS nos roubou, todo mundo rouba os Estados Unidos. Isso não vai mais acontecer”, declarou. A OMS nega as acusações.

      Isolacionismo americano e a liderança global - A saída da OMS é mais um capítulo na política de isolamento adotada por Trump, que já havia retirado os EUA do Acordo de Paris sobre o clima, cortado financiamento a outras agências da ONU e imposto barreiras tarifárias contra aliados estratégicos. Para críticos, essa postura enfraquece a liderança global americana e pode abrir espaço para a influência de outras potências, como a China.

      Leia, na íntegra, a nota da OMS:

      "OMS comenta sobre o anúncio dos Estados Unidos de intenção de se retirar

      Genebra – A Organização Mundial da Saúde lamenta o anúncio de que os Estados Unidos da América pretendem se retirar da Organização.

      A OMS desempenha um papel crucial na proteção da saúde e da segurança das pessoas em todo o mundo, incluindo os americanos, ao abordar as causas fundamentais das doenças, construir sistemas de saúde mais robustos e detectar, prevenir e responder a emergências de saúde, como surtos de doenças, muitas vezes em locais perigosos onde outros não podem atuar.

      Os Estados Unidos foram membros fundadores da OMS em 1948 e têm participado na formação e governança das ações da OMS desde então, ao lado de outros 193 Estados-Membros, incluindo sua ativa participação na Assembleia Mundial da Saúde e no Conselho Executivo. Por mais de sete décadas, a OMS e os EUA salvaram inúmeras vidas e protegeram americanos e pessoas de todo o mundo contra ameaças à saúde. Juntos, erradicamos a varíola e estamos à beira de erradicar a poliomielite. Instituições americanas contribuíram e se beneficiaram da filiação à OMS.

      Com a participação dos Estados Unidos e de outros Estados-Membros, a OMS implementou, nos últimos sete anos, o maior conjunto de reformas de sua história, transformando nossa prestação de contas, relação custo-benefício e impacto nos países. Esse trabalho continua.

      Esperamos que os Estados Unidos reconsiderem sua decisão e estamos ansiosos por um diálogo construtivo para manter a parceria entre os EUA e a OMS, em benefício da saúde e do bem-estar de milhões de pessoas em todo o mundo".

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