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    Política de deportação em massa de Trump sai cara e governo dos EUA suspende uso de aviões militares

    Governo dos EUA gastou US$ 9 milhões em apenas três viagens

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Foto: REUTERS/Brian Snyder)
    Guilherme Levorato avatar
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    247 - Os Estados Unidos suspenderam o uso de aviões militares para a deportação de migrantes devido aos altos custos da operação e às dificuldades logísticas impostas por países de destino. A informação foi divulgada pelo Wall Street Journal, confirmada por autoridades de defesa e repercutida pelo jornal O Globo. O último voo desse tipo ocorreu em 1º de março, e não há previsão para novas viagens.

    A utilização de aeronaves militares para deportações foi implementada pelo governo de Donald Trump como parte de sua política de imigração rigorosa. O objetivo era transmitir uma mensagem de endurecimento contra as entradas irregulares, como destacou o secretário de Defesa Pete Hegseth. Durante uma visita à Baía de Guantánamo, Hegseth enfatizou a postura do governo ao presenciar a chegada de migrantes deportados em um C-130 da Força Aérea dos EUA: "a mensagem é clara: se você infringir a lei, se for um criminoso, poderá encontrar seu caminho na Baía de Guantánamo. Você não quer estar na Baía de Guantánamo".

    Desde janeiro, os EUA realizaram 42 voos militares para deportar migrantes para países como Índia, Guatemala, Equador, Peru, Honduras e Panamá, além da própria Baía de Guantánamo, onde os EUA mantêm uma base militar há mais de duas décadas. No entanto, a estratégia revelou-se financeiramente insustentável. Três voos para a Índia custaram US$ 9 milhões, cerca de US$ 3 milhões cada. Em alguns casos, o custo da deportação de cada migrante chegou a US$ 20 mil.

    Para efeito de comparação, voos civis fretados pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) custam entre US$ 8.500 e US$ 17 mil por hora de voo. Já uma aeronave militar C-17 tem um custo operacional de US$ 28.500 por hora, segundo dados do Comando de Transporte dos EUA. As restrições impostas pelo México ao trânsito de aviões militares americanos em seu espaço aéreo também contribuíram para o aumento dos custos e do tempo das viagens.

    Além do alto custo, alguns países latino-americanos se recusaram a receber seus cidadãos deportados por meio de voos militares dos EUA. Em janeiro, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, negou a entrada de dois C-17 carregados de deportados, provocando uma reação agressiva de Trump, que ameaçou impor tarifas ao país. Apesar do governo dos EUA posteriormente afirmar que Bogotá havia aceitado os deportados, nenhum voo militar pousou na Colômbia. Em vez disso, o governo colombiano organizou viagens comerciais para repatriar os migrantes.

    O mesmo ocorreu com a Venezuela no mês passado. O governo de Nicolás Maduro enviou duas aeronaves comerciais para buscar 190 venezuelanos deportados dos EUA, encerrando uma longa recusa em aceitar seus cidadãos que entraram irregularmente no território americano. A mudança marca uma reconfiguração na política migratória dos EUA e uma adaptação forçada do governo Trump diante da resistência internacional e dos custos operacionais impraticáveis.

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