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      Único plano capaz de parar a agressão russa é a fórmula ucraniana, diz Zelensky a Amorim

      Celso Amorim minimizou a reação do presidente da Ucrânia à proposta do presidente Lula pelo fim do conflito e destacou que o Brasil insistirá em um processo de paz

      Volodymyr Zelensky | Celso Amorim (Foto: Reuters)
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      247 - O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta quinta-feira (11) ao assessor especial de política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim, que o único plano capaz de parar a guerra no país é a "formula ucraniana".

      Amorim chegou à Ucrânia na terça-feira para conversar com Zelensky, como parte dos esforços do governo brasileiro por negociações de paz a serem mediadas por um grupo de países sem envolvimento direto no conflito.

      "Enfatizei que o único plano capaz de parar a agressão russa na Ucrânia é a fórmula de paz ucraniana", disse Zelensky em publicação no Twitter. O plano de paz brasileiro envolve a cessação imediata das hostilidades e a criação de um grupo de países neutros dispostos a medeiar as conversações. 

      Ele ainda afirmou que discutiu com Amorim a possibilidade da realização de uma cúpula Ucrânia-América Latina e que está ansioso para continuar as discussões com Lula e receber o presidente brasileiro na Ucrânia.

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      Antes do encontro com Zelensky, Amorim visitou a cidade de Bucha, onde as forças russas são acusadas de cometer um maassacre. 

      Amorim disse à Folha de S. Paulo que propôs a Zelensky o início de um processo diplomático chamado de "negociações por proximidade", mesmo antes de eventual desocupação russa do território ucraniano.

      O assessor especial também minimizou a postagem de Zelensky e disse que Brasília vai insistir em buscar uma solução para a guerra. "Ele vai verbalizar dessa forma, da mesma maneira que os russos dizem que esse não é o melhor momento para negociar. Mas a gente não pode desistir. Desistir é a pior opção. Haverá um momento, até mesmo pelo cansaço dos países que apoiam um ou outro, em que o dano causado pela guerra será maior do que prejuízo causado por alguma concessão. Nesse momento, é importante que já haja países que estejam articulados, para que a oportunidade não escape entre os dedos. Eu acho que esse pode ser o papel do Brasil", disse. 

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      Em relação aos eventos em Bucha, Amorim comentou: “Obviamente, nós somos contra as atrocidades e as mortes em qualquer lugar que ocorram. São imagens fortes, não vou entrar em detalhes. Mas não dá para tirar conclusões totalmente, são fotos”.

      O ex-chanceler já havia se encontrado com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em abril em Moscou, onde afirmou que "as portas estão abertas" para a negociação de um fim para a guerra iniciada em fevereiro do ano passado.

      Lula condenou a ocupação territorial promovida pela Rússia, e também tem insistido em uma saída negociada para o conflito e defende que os países ocidentais deixem de fornecer armas para a Ucrânia, visando evitar o prolongamento dos confrontos.

      Ainda nesta quinta-feira, o governo brasileiro concedeu ao vice-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Melnyk, autorização ("agrément", no termo diplomático) para ocupar o cargo de embaixador ucraniano no Brasil.

      Melnyk também se encontrou com Amorim em Kiev na quarta-feira e disse pelo Twitter que o Brasil "pode exercer um papel importante em parar a agressão russa e alcançar uma paz justa e duradoura". 

      Moscou lançou sua "operação militar especial" na Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022. As delegações russa e ucraniana se envolveram em várias rodadas de negociações de paz desde então, mas as negociações acabaram chegando a um impasse. A Rússia insistiu que está aberta para negociações com a Ucrânia, mesmo depois que Zelensky assinou um decreto proibindo negociações com Moscou em outubro de 2022. Kiev exige a retirada integral das tropas russas do território ucraniano antes que negociações de paz sejam iniciadas.

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