Peixão montou rota internacional de armas de guerra para o tráfico do Rio com entregas pelos Correios e DHL
Chefão do Terceiro Comando Puro importava fuzis, drones e explosivos da China e do Paraguai usando transportadoras e laranjas com transferências via Pix
247 - Uma complexa rede de tráfico internacional de armas de guerra foi desmontada pela Polícia Federal, revelando o uso de empresas de transporte legal, como Correios, DHL e até o AliExpress, para abastecer o crime organizado no Rio de Janeiro. Segundo denúncia divulgada neste domingo (24) pelo programa Fantástico, da TV Globo, o esquema era liderado por Álvaro Malaquias Santa Rosa, o “Peixão”, apontado como um dos chefes do Terceiro Comando Puro (TCP).
De acordo com as investigações, Peixão criou uma rota internacional de importação de armamento pesado, que incluía fuzis, granadas, munições, drones e até equipamentos anti-drone. Os produtos eram adquiridos de fornecedores da China e do Paraguai, pagos em dólar e enviados com códigos de rastreamento por empresas internacionais de logística e pelos Correios, em pacotes disfarçados como brinquedos eletrônicos.
Em áudios obtidos pela PF, Peixão revela a escala da operação e a frequência das compras: "a partir de agora, a gente já não vai parar mais não, né? Toda semana a gente vai estar comprando alguma coisa. Eu vou me programar pra semana que vem fazer uma compra de 100 mil”.
Peixão se apresenta como dono de parte do Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, onde vivem aproximadamente 140 mil pessoas. As investigações indicam que ele era assessorado por Everson Vieira Francesquet, conhecido como “Deus” nas comunicações com os fornecedores. Everson atuava como armeiro da facção e foi preso ao tentar retirar um fuzil antidrone em uma agência dos Correios em Nova Iguaçu (RJ).
Mensagens encontradas no celular de Everson mostram contatos frequentes com vendedores internacionais e comprovantes de entregas da DHL com origem em Hong Kong. Em uma das conversas, Peixão orienta sobre o envio: "veja a melhor forma de envio, dessa vez vou comprar 5 de uma vez. Tenho muitos clientes que querem isso”.
O esquema contava ainda com o uso de transportadoras nacionais para trazer armas pesadas. "Eu consigo a transportadora que traz, já. Já tenho contato com a transportadora que vai trazer, até se for um fuzil. Não tem problema”, afirma Peixão em outro áudio interceptado.
As transações financeiras eram realizadas via Pix, com a utilização de “laranjas” para movimentar grandes quantias. A PF rastreou pagamentos de R$ 30 mil e R$ 32 mil relacionados às compras ilegais. Os fuzis comprados no Paraguai eram adquiridos por valores que variavam entre R$ 7,5 mil e R$ 15 mil.
Everson, já investigado anteriormente, foi novamente preso neste mês ao se apresentar à Justiça e agora é acusado de tráfico internacional de armas e participação em organização criminosa. A Polícia Federal solicitou sua transferência para um presídio federal.
Em entrevista ao Fantástico, o superintendente da PF no Rio de Janeiro, Fábio Galvão, defendeu uma atuação mais coordenada entre os órgãos de segurança para enfrentar o tráfico internacional de armas: “a integração tem um papel fundamental nisso. Os problemas são muito grandes e complexos e exigem coordenação e união de esforço”.
Peixão continua foragido, e a Polícia Civil já realizou diversas operações para capturá-lo. Em uma das ações, foi destruído um “resort do tráfico”, erguido em uma comunidade sob seu domínio, com piscina, academia e até lago artificial.
Em nota oficial, os Correios afirmaram que mantêm uma atuação rigorosa no combate ao envio de objetos ilícitos e que colaboram com os órgãos de segurança. A DHL Express declarou que não compactua com atividades criminosas e está acompanhando o caso. Já o AliExpress informou que repudia qualquer atividade criminosa e está disponível para colaborar com as autoridades.
A reportagem do Fantástico não conseguiu contato com a defesa de Everson Francesquet.
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