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    "Novo mandato de Dilma amplia as relações do Brasil com o Sul Global", diz Mercadante

    Reeleita à presidência do Banco dos BRICS, Dilma Rousseff consolida governança e amplia investimentos

    Mercadante, Lula e Dilma (Foto: Ricardo Stuckert)
    Guilherme Levorato avatar
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    247 - Durante o Fórum de Desenvolvimento da China, realizado neste domingo (23) em Pequim, a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, foi reconduzida ao cargo para mais um mandato à frente da instituição criada pelo bloco dos BRICS. 

    A recondução de Dilma ocorreu por indicação da Rússia, após articulação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, a continuidade de Dilma representa um avanço estratégico para a política externa brasileira. “A reeleição da Presidenta Dilma, para mais um mandato à frente do NDB, fortalece a presença do Brasil nos BRICS e em sua ampliação. Intensifica a ponte estratégica do governo Lula com a China e amplia as relações do Brasil no Sul Global. É muito importante, neste momento histórico de imensos desafios geopolíticos”, declarou Mercadante.

    Ao longo de seus dois primeiros anos no comando do NDB, Dilma implementou uma ampla reestruturação na instituição financeira, que enfrentava forte instabilidade herdada da gestão anterior do diplomata Marcos Troyjo. Entre os principais avanços estão a recuperação da liquidez, o retorno ao mercado de capitais e a reativação do programa de emissão de títulos na China, os chamados Panda Bonds.

    Em 2023, o banco captou aproximadamente US$ 14 bilhões em 40 operações realizadas em múltiplas moedas, com destaque para duas emissões de US$ 1,25 bilhão e US$ 1,2 bilhão em dólares, além de US$ 4 bilhões em yuanes. Em abril daquele ano, também foi criado o comitê executivo de governança, ausente na administração anterior.

    Esse conjunto de medidas levou à recuperação da credibilidade do NDB, culminando na reafirmação da nota “AA” pela agência Fitch, com perspectiva estável, e, mais recentemente, na elevação da classificação para “AAA” pela agência japonesa JCR, que destacou os avanços em governança e segurança financeira.

    Sem citar diretamente o antecessor, Dilma fez críticas à gestão anterior durante o Fórum: “uma das coisas mais graves que aconteceram no banco foi quando não tomaram empréstimos por 16 meses. Quando você não tem liquidez, você não investe. Ou seja, também não tinha empréstimo”.

    Em entrevista ao editor-chefe do Brasil 247, Leonardo Attuch, Dilma reforçou a importância do NDB na nova ordem mundial: “O BRICS é um fator de estabilidade em tempos de incerteza”. Para ela, o bloco deve desempenhar papel central na construção de uma ordem internacional multipolar e baseada na igualdade entre os países. “O parâmetro das relações internacionais não pode ser a força. Tem que ser o respeito entre os países”, afirmou.

    O Brasil tem ampliado sua participação no NDB. Os desembolsos no país passaram de 12% para 18% do total investido, aproximando-se de sua fatia acionária. Entre os projetos financiados estão o Hospital Inteligente, desenvolvido em parceria com a USP e os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, obras de infraestrutura hídrica na Paraíba e financiamento para a CPFL Energia.

    A atuação internacional do banco também se intensificou. A Argélia passou a integrar o NDB em 2024 e o Uruguai deve ser o próximo membro. Outros 17 países já manifestaram interesse em ingressar na instituição, ampliando o alcance global do banco dos Brics.

    A presença de Dilma na abertura do Fórum, ao lado de figuras como o primeiro-ministro chinês Li Qiang, o CEO da Apple, Tim Cook, e o brasileiro Cristiano Amon, CEO da Qualcomm, evidencia o peso crescente do NDB como uma alternativa às instituições financeiras tradicionais. Sua recondução simboliza não apenas a reabilitação internacional da ex-presidenta brasileira, mas também a consolidação de um projeto de integração entre os países do Sul Global.

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