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    Francisco Calmon

    Ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; membro da Coordenação do Fórum Direito à Memória, Verdade e Justiça do Espírito Santo. Membro da Frente Brasil Popular do ES

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    Na Venezuela está sendo jogado o dilema da democracia na América do Sul: ser submissa ao imperialismo ou ser soberana

    Estão transformando o Estado venezuelano numa babel, onde todos metem a colher como se fosse a casa da mãe Joana

    Protesto em Caracas após a vitória de Nicolás Maduro (Foto: Reuters)

    Os EUA defendem a democracia desde que obedeça ao imperialismo ocidental. A sua própria democracia sofreu uma tentativa de golpe e o mentor e agitador, Trump, está livre e novamente candidato e protagonista de agitamento belicoso nas eleições de seu país.

    O nazifascista Zelensky é produto de golpe, e como é títere do imperialismo, a democracia esfacelada da Ucrânia não sofre nenhum fustigamento.

    O princípio da autodeterminação dos povos, do Direito Internacional, confere aos povos o direito de autogoverno e de decidirem livremente a sua organização política. Ou seja: o direito dos povos de determinar o seu sistema de governo, organização econômica e sociocultural, bem como ao Estado o direito de defender a sua existência e independência.

    Quem e quando foi outorgado aos EUA o papel de zelador imperial da democracia? O governo estadunidense é xerife, promotor e juiz do mundo? Pode violentar a soberania de outros países? 

    Onde os States estiverem têm golpes, guerras e apropriação de riquezas alheias, e não tem como dar um cavalo de pau, porque a sua existência depende disso.

    Para a manutenção desse status, chegará a provocar e tornar a guerra nuclear como inevitável. 

    Um mundo sem conflitos armados seria a falência de sua indústria bélica, uma debacle em sua economia. 

    Um mundo multipolar é o início do seu fim como império, aceitar essa inevitabilidade é ir de encontro a sua história de independência e organização como país, é mais crível apertarem o botão vermelho. 

    A existência dos Estados Unidos é fator de instabilidade em todo o mundo. 

    A OTAN e Israel são seus operadores militares no xadrez da geopolítica internacional. Japão e Alemanha estão novamente se militarizando, com o seu incentivo e logística. 

    O chavismo é um processo democrático nacionalista, apoiado nas forças militares e organizações populares, não houve uma revolução que alterasse a natureza do sistema econômico e tirasse o poder da burguesia, daí a convivência com os representantes extremistas da direita, os quais estão a serviço dos interesses do imperialismo, e, enquanto existirem, tentarão golpes. 

    O Brasil também vive um dilema: ou se assume como líder da região e resguarda a soberania dos países da América do Sul, ou ficará teleguiado pelos EUA. 

    A suspeição do resultado das eleições não recai somente ao governo Maduro, mas, sim, ao Estado venezuelano. É muito grave! Não se pode aceitar esse procedimento, seria um precedente que eliminaria o direito internacional de não ingerência e intervenção em questões internas de outros países. 

    Independente de temer o império e de ter ou não empatia por Maduro, é candente assumir a responsabilidade de maior país do continente sul, que já sofreu, com apoios dos EEUU, intentonas e golpes à democracia brasileira, e proclamar:  respeitem as nossas casas, pois não somos quintais de nenhuma potência.

    Fazer omelete sem quebrar os ovos num contexto polarizado é impossível, ou quase.

    No artigo Canja de galinha e cautela, publicada em 30 de julho, escrevi: A demora do Lula em se manifestar quanto ao resultado do pleito da Venezuela dá azo à extrema-direita, coloca em dúvida o sistema eleitoral, visto que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país proclamou a vitória de Maduro por 51% e o segundo colocado com 44%.

    E concluí: Caldo de galinha e cautela não fazem mal a ninguém, diz o ditado, porém, pode engasgar-se e perder o timing

    Biden preparou uma armadilha para Lula.  

    Sem base, o secretário-geral da OEA pediu a prisão de Maduro; sem base, o secretário de estado americano assertivou que Gonzáles ganhou, por evidências (Pasmem!), fecharam o script: fazer do candidato derrotado, Gonzáles, um novo Guaidó, um presidente bonifrate.

    Para fechar a narrativa de delitos de calúnia, injúria e difamação do imperialismo e seus peões, o genocida Zelensky acusa a Rússia de enviar mercenários para assassinar opositores venezuelanos, quando a verdade é inversa. Outra tática conhecida: acusar o outro, a vítima, do que ele, autor, está fazendo.

    O ônus da prova é do acusado provar a sua inocência, e não do acusador a responsabilidade de comprovar que a alegação é verdadeira? 

    Não há provas, não há convicção, há em curso um golpe, adredemente planejado, ao Estado da Venezuela. 

    Vivemos essa anomalia durante a lava jato, notadamente no processo contra Lula e acusação da propriedade do triplex. “Não tenho prova, tenho convicção” de que o Lula é o chefe da quadrilha, dizia o acusador. Resultado 588 meses de prisão do atual presidente. 

    O Estado brasileiro conhece esse modelo de luta política. 

    Se concretizado o golpe na Venezuela, o modelo vira súmula de ingerência permitida, jurisprudência da acusação sem prova, avenida para o golpismo. 

    E Lula ficará com a liderança abalada!  

    Aos EUA não interessam um continente em paz; as mais de 700 mil mortes na guerra na Ucrânia, as mais de 35 mil mortes em Gaza e Israel, não afetam a sua moralidade, afinal, sem necessidade, mataram 140 mil em Hiroshima e 74 mil em Nagasaki. Imperialismo é antítese de humanismo.

    Fizeram laboratório na Ucrânia, estão fazendo em Gaza, para terem parâmetros na elaboração de uma estratégica de guerra global. 

    Estão transformando o Estado venezuelano numa babel, onde todos metem a colher como se fosse a casa da mãe joana. 

    Querem banir a autonomia da Venezuela como baniram a Rússia dos jogos olímpicos, enquanto a Ucrânia e Israel participam. 

    Será que o Estado brasileiro está vendo a realidade, sem temor ou empatia? 

    Quero crer que não precisa desenhar, basta ver quem está com a Venezuela e quem está contra.

    Reaja, Brasil, amanhã podemos ser nós!

    * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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