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    Haddad nega mudanças no arcabouço fiscal, mas dólar ainda sobe

    Dólar à vista fechou em alta de 0,65%, aos R$5,7528

    Notas de dólar 12/10/2021 (Foto: REUTERS/Cagla Gurdogan/File Photo)
    Bianca Penteado avatar
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    SÃO PAULO (Reuters) - O dólar emplacou nesta segunda-feira a terceira sessão consecutiva de alta no Brasil, impulsionado por ruídos no mercado após fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o arcabouço fiscal e pelo avanço da moeda norte-americana no exterior, em meio a dúvidas em torno da aplicação de novas tarifas comerciais pelos EUA.

    O dólar à vista fechou em alta de 0,65%, aos R$5,7528. Em três dias úteis, a divisa acumulou ganhos de 1,84% mas, no ano, tem recuo de 6,90%.

    Às 17h03 na B3 o dólar para abril -- atualmente o mais líquido no Brasil -- subia 0,52%, aos R$5,7635.

    A divisa dos EUA chegou a oscilar em baixa ante o real no início da sessão, mas rapidamente saltou para o território positivo na esteira de ruídos gerados por comentários de Haddad em evento organizado pelo Valor Econômico.

    Haddad afirmou que quando o país tiver estabilidade da dívida pública, além de Selic e inflação comportadas, será possível mudar parâmetros que balizam o arcabouço, mas não a arquitetura baseada em limite de gasto e meta de resultado primário.

    “Depois, quando você estiver numa situação de estabilidade da dívida (em relação ao) PIB, você tiver uma Selic mais comportada e uma inflação mais comportada, você vai poder mudar os parâmetros do arcabouço. Mas, na minha opinião, não deveríamos mudar a arquitetura", disse.

    Os comentários estressaram as cotações, com parte do mercado enxergando certo risco na fala, ainda que Haddad não tenha sugerido de fato mudanças que possam enfraquecer o arcabouço.

    “Tivemos logo de manhã um pouco de fala do Haddad que acabou trazendo ruídos para o mercado, dado que ele falou bastante sobre a questão do arcabouço, que vai perseguir, que não se muda a arquitetura, mas que talvez possa mudar ou ajustar alguma coisa”, afirmou Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. “Então o mercado ficou um pouco nervoso nesta abertura.”

    Após marcar a cotação mínima de R$5,7027 (-0,23%) às 9h09, pouco depois da abertura, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,7734 (+1,01%) às 9h49, já sob o impacto dos ruídos.

    Após o evento, Haddad afirmou em uma rede social que houve uma tentativa de distorção de sua fala e reiterou o apoio à arquitetura do arcabouço fiscal.

    "Para o futuro, disse que os parâmetros podem até mudar, se as circunstâncias mudarem, mas defendo o cumprimento das metas que foram estabelecidas pelo atual governo", afirmou Haddad em publicação no X.

    Passada a pressão trazida por Haddad, o dólar perdeu força, mas ainda assim se manteve no território positivo, em sintonia com o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior.

    Por trás do movimento estavam os receios em torno das tarifas comerciais dos EUA. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que em um futuro muito próximo anunciará tarifas sobre automóveis, alumínio e produtos farmacêuticos.

    Ao mesmo tempo, a Bloomberg News e o The Wall Street Journal informaram que o governo Trump provavelmente adiará um conjunto de tarifas específicas para setores ao aplicar taxas recíprocas em 2 de abril.

    Neste cenário, no fim da tarde o dólar se mantinha em alta ante uma cesta de divisas fortes. Às 17h10, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,24%, a 104,280.

    Pela manhã, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a projeção mediana do mercado para o dólar no fim de 2025 passou de R$5,98 para R$5,95, na segunda queda semanal consecutiva.

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