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      "O que me preocupa mais é o que pode acontecer no parlamento", diz jurista

      Advogada Ecila Meneses alerta sobre riscos políticos na condução do julgamento no STF

      (Foto: ABR | Divulgação )
      Dafne Ashton avatar
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      247 - Em entrevista ao programa Boa Noite 247, a advogada Ecila Meneses expressou otimismo em relação à condução do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), mas alertou para o que considera uma preocupação maior: a possibilidade de movimentos no parlamento visando anistiar os responsáveis. Segundo ela, é fundamental que a sociedade se mantenha atenta e cobre uma postura firme das instituições.

      "Eu tô otimista, eu acho que a gente pode, sim, ter um processo que realmente consiga fazer um julgamento do jeito que o Estado brasileiro precisa, que a sociedade brasileira precisa", afirmou Meneses. No entanto, a advogada ponderou que a maior ameaça não está na côrte, mas no Congresso Nacional: "O que me preocupa mais é o que pode acontecer no parlamento. Ou seja, gerar questionamento para que seja anistiado e tudo mais, que é uma coisa que nós precisamos estar atentos e atentas".

      Meneses destacou a consistência da recente denúncia apresentada, que, segundo ela, foi feita com detalhes minuciosos. "Ela expõe de forma muito consistente, trazendo uma explicação com muito detalhe. Embora o processo ainda tenha seguimento e possa necessitar de outras provas e depoimentos, fica muito difícil desmontar a partir daí", analisou.

      O nervosismo de determinados setores diante do julgamento também foi mencionado por Meneses. "A gente vê uma reação muito agressiva, uma série de medidas de ataque", afirmou. Para ela, a disputa mais importante se dará dentro do Congresso: "Eu acho que nós vamos ter um embate importante no parlamento, e é onde a gente precisa estar atento".

      A advogada enfatizou que o caso tem impacto direto na democracia e deve ser acompanhado de perto pela sociedade. "Esse processo traz para si várias questões importantes, porque não é só compreender os fatos e julgar de forma justa. É também entender que essa metodologia precisa ser respeitada. Ela deve servir de referência e ser comparada ao que tivemos antes", explicou.

      Ao relembrar episódios passados, Meneses mencionou os processos da Lava Jato e o julgamento do presidente Lula, criticando a forma como foram conduzidos. “Aí a gente vê toda uma inconsistência, um desrespeito às prerrogativas e aos princípios constitucionais”, argumentou.

      A advogada também ressaltou o papel da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), da qual faz parte, na mobilização social e na busca por um sistema de justiça mais democratizado. "A ABJD se organiza pós-golpe de 2016, e, nesse momento, estamos pensando em uma série de ações. Temos núcleos espalhados pelo Brasil inteiro, e fazemos questão de estabelecer esse debate, não só com a militância, mas com a sociedade como um todo".

      Meneses também alertou para o impacto do tempo na tramitação do caso, destacando que, em processos políticos, a demora ou a aceleração podem definir os rumos da decisão. "Todo mundo ficou preocupado com o retardo, que não veio antes, e na política isso é fundamental. Como temos, no objeto da denúncia, uma questão política, o atraso ou o adiantamento podem definir o desfecho".

      Por fim, mesmo reconhecendo as dificuldades e os desafios, a advogada reforçou sua esperança na condução do julgamento. "Eu tô otimista que a gente vai ter um processo que precisa ser acompanhado pela sociedade e que ele vai ter um bom andamento. Mas isso não garante nada, porque temos outras tensões e eles vão colocar outras tensões". Assista: 

       

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