Valter Pomar: “Existe um problema de condução política”
Historiador aponta falta de mobilização efetiva do PT, CUT e MST em ato contra o golpismo e afirma que presença nas ruas é condição para a luta democrática
247 - Em entrevista ao programa Contramola, da TV 247, o historiador e dirigente petista Valter Pomar apontou a ausência de um esforço coordenado das principais organizações de esquerda como uma das causas do tamanho limitado das manifestações realizadas em 30 de março contra o golpismo. Segundo ele, embora a iniciativa tenha sido correta, faltou mobilização real das entidades de massa para garantir que o ato ganhasse maior expressão.
“Existe um problema de condução política”, declarou. “Era plenamente possível você ter tido uma manifestação duas, três vezes maiores se as grandes entidades do país — o PT, a CUT, o MST, a UNE, a UBES — tivessem se engajado para fazer mobilizações maiores.” Para Pomar, manifestações não acontecem por espontaneísmo, mas exigem organização, convocação e trabalho de base.
O dirigente destacou que houve a presença de militantes e dirigentes partidários, mas criticou a inércia das estruturas organizativas. “A máquina que nós temos não se engajou mais uma vez. Engajamento não é soltar uma nota ou dizer ‘compareçam’. Engajamento é mobilização real, é organizar a presença das pessoas.”
Respondendo à frustração de setores da esquerda com o número de participantes, estimado entre 6 mil e 10 mil, Pomar foi direto: “A alternativa era o quê? Ter zero pessoa? Melhor que as pessoas tenham ido pra rua. Só indo pra rua é que as outras manifestações serão maiores.” Para ele, a construção de mobilização popular é como uma recuperação física. “É como uma fisioterapia: você vai recuperando a capacidade de mobilização fazendo mobilização.”
Ele fez questão de valorizar os que participaram e convocaram os atos. “Foram manifestações alegres, combativas. Parabéns a todo mundo que foi às ruas, parabéns a quem convocou, porque o caminho é esse.”
Pomar também abordou o 1º de Maio como uma oportunidade fundamental para reverter a baixa capacidade de mobilização. A CUT organiza atos em diversas cidades do país, com destaque para São Bernardo do Campo. “O PT tem que mobilizar a sua base. A CUT tem que fazer pressão sobre as diretorias sindicais para todos os diretores irem pelo menos e levarem a sua militância. É possível fazer manifestações e é necessário.”
Segundo ele, a direita já compreendeu a importância da presença nas ruas, mesmo dispondo de força institucional, acesso às redes e financiamento privado. “Eles têm força nos meios de comunicação, nas redes, têm dinheiro, poder institucional e militar — e mesmo assim fazem manifestações. Como é que a gente não vai considerar importante fazer também?”
Ao final da entrevista, Pomar resumiu sua avaliação com um chamado claro à ação: “O silêncio não é alternativa. Ficar em casa não é alternativa. Ficar assistindo não é alternativa. É preciso agir.” Assista:
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