EUA reafirmam apoio "inabalável" às Filipinas e anunciam novos armamentos contra "ameaças do comunismo chinês"
Secretário de Defesa Pete Hegseth visita Manila, enfatiza aliança e promete reforçar dissuasão diante do que classificou como ameaças vindas de Pequim.
247 - O compromisso “inabalável” dos Estados Unidos com a defesa das Filipinas foi reafirmado nesta sexta-feira (28) pelo secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, em Manila. A informação é da agência Channel News Asia.
Hegseth se reuniu com o presidente Ferdinand Marcos Jr. e com o secretário de Defesa filipino, Gilberto Teodoro, em meio a crescentes tensões com a China na região do Mar do Sul da China.
Durante a visita, o secretário norte-americano destacou que os EUA estão comprometidos com o fortalecimento das capacidades defensivas das Filipinas, inclusive com o envio de equipamentos militares de ponta, como o sistema de mísseis antinavio NMESIS e veículos de superfície não tripulados.
A presença militar norte-americana na região, afirmou Hegseth, tem como objetivo reforçar a dissuasão contra ameaças, especialmente o que chamou de “ameaças do comunismo chinês”.
"A dissuasão é necessária em todo o mundo, mas especialmente nesta região, no seu país, considerando as ameaças do comunismo chinês", declarou o secretário em coletiva de imprensa conjunta com Gilberto Teodoro.
Segundo ele, os Estados Unidos não buscam um conflito, mas estão prontos para reagir a qualquer ameaça à estabilidade regional. “O presidente Trump busca a paz... mas para alcançar essa paz, seremos fortes”, afirmou, em referência ao ex-presidente, que lidera a corrida republicana para a Casa Branca em 2024.
“Nossos aliados saberão que estamos com eles. Nossos almirantes estão preparados, e eles estarão devidamente equipados. Estamos reconstruindo nosso Exército sob o comando do presidente Trump”, acrescentou Hegseth.
Reações da China
As declarações e ações do governo norte-americano provocaram duras reações em Pequim. Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, acusou os Estados Unidos de fomentar uma “confrontação ideológica” e de incentivar seus aliados a provocar instabilidades na região.
“Ao longo do tempo, é o lado norte-americano que tem incentivado seus aliados a provocações no Mar do Sul da China e fabricado alegações infundadas sobre ameaças chinesas à liberdade de navegação”, disse Guo.
A China também advertiu o governo filipino a não agir em consonância com os interesses de Washington, nem tentar provocar um confronto militar. Já o porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Wu Qian, afirmou que a cooperação militar entre os EUA e as Filipinas não deve comprometer a segurança de outros países e acusou os americanos de histórico de traição a seus aliados.
“Ao longo da história, os EUA mantêm um histórico impressionante de quebrar promessas e abandonar seus aliados”, disse Wu em Pequim, na véspera da visita de Hegseth.
Operações militares e exercícios especiais
Durante sua passagem por Manila, Hegseth também anunciou a realização de operações bilaterais de treinamento das forças especiais, a serem conduzidas nas ilhas de Batanes — arquipélago filipino mais próximo de Taiwan. O anúncio reforça a percepção de que a aliança entre os dois países está sendo intensificada diante do avanço da influência militar chinesa no Indo-Pacífico.
“Nossa parceria não apenas continua hoje, como está sendo duplicada. Nossa aliança inabalável nunca foi tão forte”, garantiu o secretário de Defesa norte-americano.
O presidente Ferdinand Marcos Jr., por sua vez, elogiou a visita de Hegseth e a descreveu como um “sinal inequívoco” do compromisso dos Estados Unidos com a estabilidade regional. Segundo ele, a presença do alto escalão da Defesa americana representa uma mensagem clara aos demais países sobre a importância da parceria estratégica entre Manila e Washington.
“Ela envia uma mensagem muito forte sobre o compromisso de ambos os nossos países de continuar trabalhando juntos para manter a paz na região do Indo-Pacífico e no Mar do Sul da China”, disse Marcos.
A visita às Filipinas foi o primeiro destino da viagem de Hegseth pela Ásia. A agenda do secretário, no entanto, foi ofuscada pela revelação de que planos confidenciais de ataque contra militantes houthis no Iêmen teriam sido compartilhados por meio de um aplicativo de mensagens criptografadas, supostamente acessado por um jornalista. Questionado sobre o episódio, Hegseth evitou comentar diretamente e afirmou apenas que sua prioridade é garantir que o Departamento de Defesa esteja “preparado e pronto”.
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