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      Europa avalia aumento no orçamento de defesa enquanto proposta de pacificadores na Ucrânia gera divisões

      A reunião em Paris foi convocada pelo presidente francês Emmanuel Macron após Donald Trump ter organizado negociações bilaterais com a Rússia

      (Foto: Sputnik)
      Leonardo Lucena avatar
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      PARIS/RIYADH, Feb 17 (Reuters) - Líderes europeus reunidos em Paris nesta segunda-feira, para uma reunião de emergência, pediram um aumento nos gastos para fortalecer as capacidades de defesa do continente, mas permaneceram divididos sobre a ideia de enviar pacificadores para a Ucrânia, para apoiar um possível acordo de paz.

      A reunião em Paris foi convocada pelo presidente francês Emmanuel Macron após o líder dos EUA, Donald Trump, ter organizado negociações bilaterais com a Rússia, excluindo os aliados europeus e a Ucrânia das discussões para terminar a guerra, que devem começar na terça-feira, na Arábia Saudita.

      As autoridades europeias foram pegas de surpresa pelas ações recentes da administração Trump sobre a Ucrânia, a Rússia e a defesa europeia, e agora precisam confrontar a realidade de um futuro com menos proteção dos EUA.

      A decisão dos EUA de seguir com negociações separadas com a Rússia gerou a percepção entre as nações europeias de que terão que fazer mais para garantir a segurança da Ucrânia.

      O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que antes da reunião havia dito estar disposto a enviar tropas de paz para a Ucrânia, afirmou nesta segunda-feira à noite que é necessário um compromisso de segurança dos EUA para que os países europeus coloquem tropas no terreno. Ele disse que ainda era cedo para determinar quantas tropas britânicas estariam dispostas a enviar.

      Uma força de pacificação não só aumentaria o risco de um confronto direto com a Rússia, que iniciou sua invasão total da Ucrânia em 2022, mas também sobrecarregaria os exércitos europeus, cujos arsenais foram enfraquecidos pelo envio de armamentos à Ucrânia e décadas de relativa paz.

      Além disso, surgem questões difíceis sobre como alguns países europeus, cujas finanças públicas estão sobrecarregadas, poderão arcar com esses compromissos militares ampliados.

      GASTOS COM DEFESA

      A proposta de Starmer sobre pacificadores parecia ter dividido os participantes da reunião em Paris.

      O chanceler alemão Olaf Scholz afirmou que não pode haver um acordo de paz sem o consentimento da Ucrânia, mas disse que falar em uma missão de pacificadores alemães na Ucrânia era "altamente inadequado" sem um acordo de paz em vigor. Em vez disso, ele defendeu que os países europeus que gastam mais de 2% do seu PIB com defesa não devem ser impedidos pelas regras orçamentárias da União Europeia.

      A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, também se mostrou contra o plano de pacificadores, de acordo com fontes de seu escritório.

      "Foi útil discutir hoje as várias hipóteses em pauta. A que prevê o envio de soldados europeus para a Ucrânia me parece a mais complexa e talvez a menos eficaz, e sobre isso também manifestei as dúvidas da Itália", disse ela, de acordo com as fontes.

      A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse que estava aberta a discutir o envio de tropas e que a Europa deve aumentar seu apoio à Ucrânia, ao mesmo tempo em que eleva seus gastos domésticos com defesa.

      "A Rússia está ameaçando toda a Europa agora, infelizmente", disse Frederiksen aos repórteres.

      Scholz e o primeiro-ministro polonês Donald Tusk disseram que as rigorosas regras fiscais da UE devem ser flexibilizadas para permitir mais gastos com defesa, sem que os países infrinjam as regras de déficit da União Europeia.

      Tusk afirmou que houve "confirmação... de que os gastos com defesa não serão mais tratados como gastos excessivos, então não estaremos em risco do procedimento de déficit excessivo e todas as suas consequências desagradáveis".

      EUA E RÚSSIA SE ENCONTRAM NA ARÁBIA SAUDITA

      Antes das negociações lideradas pelos EUA para acabar com a guerra, a Rússia descartou a possibilidade de ceder território, enquanto o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky rejeitou as negociações entre os EUA e a Rússia, que estão ocorrendo sem ele.

      Trump surpreendeu a Ucrânia e os aliados europeus na semana passada, ao anunciar que havia conversado com o presidente russo Vladimir Putin, que foi ostracizado pelo Ocidente, para discutir o fim da guerra sem consultá-los.

      Oficiais sêniores dos EUA e da Rússia se reunirão na Arábia Saudita nesta terça-feira. As discussões de mais alto nível entre as nações em anos têm o objetivo de preparar uma reunião entre Trump e Putin.

      O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman se reuniu nesta segunda-feira com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Riad, além do conselheiro de segurança nacional Mike Waltz e o enviado do Oriente Médio Steve Witkoff, que também fazem parte da equipe negociadora dos EUA.

      Pelo lado russo, o ministro das Relações Exteriores Sergey Lavrov e o conselheiro de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov, estavam previstos para participar, de acordo com o Kremlin.

      No entanto, surgiram sinais de abordagens diferentes.

      A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tammy Bruce, disse que a conversa determinará se os russos estão sérios sobre as negociações de paz, "talvez até se esse primeiro passo seja mesmo possível". Por sua parte, o Kremlin afirmou que as negociações se concentrarão em "restaurar todo o complexo de relações russo-americanas".

      Keith Kellogg, enviado especial dos EUA para a Ucrânia, mas que não está na Arábia Saudita, disse que visitará a Ucrânia por três dias a partir de quarta-feira.

      Quando questionado se os EUA forneceriam uma garantia de segurança para quaisquer pacificadores europeus, Kellogg respondeu: "Eu estive com o presidente Trump, e a política sempre foi: você não descarta nenhuma opção".

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