Militares de Ruanda invadem o Congo democrático
Ruanda reforça apoio à milícia M23. Batalha pela cidade de Goma é iminente
Atualização - Detalhes incluídos nos parágrafos oitavo e nono
247 - Grandes contingentes de tropas de Ruanda invadiram a República Democrática do Congo (RDC) para apoiar a milícia M23 na tentativa de capturar Goma, capital regional da província de Quivu do Norte, no leste do país. A informação foi publicada pelo The Guardian neste sábado (25).
Goma, que atualmente enfrenta o cerco do M23, está situada na fronteira entre os dois países e possui cerca de 2 milhões de habitantes. O M23, apoiado por Ruanda, busca controlar áreas ricas em minerais e rotas comerciais essenciais.
Segundo o jornal britânico, os principais comandantes das Forças de Defesa de Ruanda foram deslocados para a cidade ruandesa de Gisenyi, a menos de 1,5 km de Goma, como parte da estratégia militar.
Nos arredores de Goma, intensos combates entre unidades avançadas do M23 e o exército congolês foram registrados nos últimos dias. Desde o início de 2025, mais de 100 mil pessoas foram forçadas a abandonar suas casas devido à ofensiva do grupo armado, segundo dados da ONU.
Ruanda nega qualquer envolvimento com o M23. Paralelamente, o presidente ruandês, Paul Kagame, acusou a RDC de apoiar as Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda (FDLR), grupo armado que opera no território congolês. Composto majoritariamente por extremistas hutus, a FDLR inclui membros acusados de participar do genocídio de 1994 contra a população tutsi, a etnia de Kagame.
Enquanto isso, esforços diplomáticos fracassaram. Em dezembro, o presidente de Angola, João Lourenço, tentou mediar um diálogo entre Félix Tshisekedi, presidente da RDC, e Paul Kagame para amenizar as tensões. Contudo, as negociações não avançaram, aumentando os temores de uma escalada no conflito entre os dois países.
Um relatório de especialistas da ONU enviado ao Conselho de Segurança em dezembro de 2024 apontou que Ruanda estaria se beneficiando da exploração ilegal de minerais comercializados de forma fraudulenta a partir de territórios controlados pelo M23, fortalecendo as suspeitas do governo congolês. Acusações semelhantes recaem sobre a FDLR.
O Congo cortou laços diplomáticos com Ruanda em meio a intensos combates ao redor de Goma. O Ministério das Relações Exteriores congolês anunciou a decisão no sábado e também que irá retirar todo o pessoal diplomático do país vizinho “com efeito imediato”.
O Conselho de Segurança da ONU marcou para este domingo (26) uma reunião de emergência.
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