Orbán desafia a União Europeia e defende negociação direta com a Rússia
Primeiro-ministro húngaro afirma que o bloco deve seguir o exemplo dos EUA e dialogar diretamente com Moscou sobre a guerra na Ucrânia
247 – O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, enviou uma carta ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, comunicando que seu país não apoiará uma declaração conjunta da União Europeia na cúpula especial do bloco sobre a Ucrânia, prevista para 6 de março. A informação foi publicada pelo site Observador e repercutida por agências internacionais como Bloomberg e Reuters. Orbán argumentou que a UE deveria "seguir o exemplo dos Estados Unidos" e negociar diretamente com a Rússia um cessar-fogo e um acordo de paz sustentável.
“Temos diferenças estratégicas irreconciliáveis sobre a Ucrânia”, escreveu Orbán na carta. “Estou convencido de que a União Europeia deveria, assim como os Estados Unidos, engajar-se em negociações diretas com a Rússia para alcançar um cessar-fogo e garantir uma paz duradoura.”
A posição do líder húngaro reflete sua postura crítica à estratégia adotada pela União Europeia desde o início da guerra na Ucrânia. Orbán tem sido um opositor das sanções contra Moscou e defende uma abordagem mais pragmática para resolver o conflito. Ele também afirmou que a cúpula da UE não deveria tentar impor conclusões formais sobre o tema. “Sugiro que evitemos qualquer tentativa de redigir uma conclusão escrita sobre a questão da Ucrânia”, destacou.
União Europeia enfrenta divisões internas sobre a Ucrânia
A carta de Orbán chega em um momento de crescentes divisões dentro da União Europeia sobre a condução do apoio à Ucrânia. O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, também se manifestou a favor de uma solução diplomática mais rápida e criticou a estratégia da UE de buscar a paz por meio da escalada militar.
“A estratégia da União Europeia de buscar a paz com armas é irrealista. A necessidade de um cessar-fogo imediato deve ser refletida nas conclusões da cúpula”, afirmou Fico em suas redes sociais. Ele alertou que, caso a reunião ignore opiniões alternativas à continuidade da guerra, o Conselho Europeu pode não chegar a um consenso sobre a Ucrânia.
Os líderes europeus estão debatendo um novo rascunho de declaração para a cúpula, no qual insistem que "nenhuma negociação pode ocorrer sem a participação da Ucrânia" e que qualquer acordo de paz deve incluir "garantias de segurança fortes e confiáveis" para Kiev. O documento também reforça o compromisso da UE em continuar fornecendo assistência militar ao governo de Volodymyr Zelensky.
EUA e Ucrânia enfrentam tensões
Enquanto isso, as relações entre os Estados Unidos e a Ucrânia também passaram por um momento tenso. No dia 28 de fevereiro, o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky tiveram um desentendimento público na Casa Branca, resultando no cancelamento de uma coletiva de imprensa conjunta e na interrupção antecipada da visita oficial do líder ucraniano. Além disso, um acordo sobre recursos minerais entre os dois países não foi assinado.
Diante da crescente incerteza sobre o futuro do apoio militar dos EUA à Ucrânia, os países da União Europeia se apressam em formular estratégias alternativas. No entanto, a falta de consenso entre os membros do bloco pode dificultar qualquer decisão concreta na cúpula especial marcada para março.
Desde o agravamento do conflito em 2022, Orbán tem sido um dos principais críticos da política da UE em relação à Rússia. Em outubro do ano passado, ele declarou que a União Europeia "precisa mudar", pois está enfrentando "o momento mais difícil de sua história". Já em fevereiro deste ano, acusou os líderes do bloco de adotarem uma postura "submissa" nas negociações comerciais com os Estados Unidos.
O posicionamento do primeiro-ministro húngaro aumenta a pressão sobre a União Europeia, que enfrenta um cenário de incerteza tanto no apoio contínuo à Ucrânia quanto na necessidade de lidar com líderes internos que defendem abordagens alternativas para o conflito.
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