Primeiro-ministro britânico quer que EUA ofereçam garantias de segurança pela paz duradoura na Ucrânia
"Estou convencido de que precisamos de uma paz duradoura, não de um cessar-fogo, para isso precisamos de garantias de segurança", declarou Starmer
247 - Ao se dirigir a Washington para uma visita oficial, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer fez um apelo aos Estados Unidos para que forneçam uma "garantia de segurança" de segurança para qualquer futura missão de paz europeia na Ucrânia. Segundo ele, apenas um compromisso firme dos EUA poderia garantir uma paz duradoura, evitando que o conflito se transforme em um cessar-fogo frágil e temporário.
A reunião de Starmer com o presidente Donald Trump ocorre em um momento de incerteza para a diplomacia ocidental na guerra da Ucrânia. Desde que Trump alterou a abordagem dos EUA em relação ao conflito, privilegiando uma postura mais distanciada, os aliados europeus têm intensificado seus esforços para manter o apoio a Kiev. Contudo, divergências internas na Europa tornam difícil a formação de um consenso sobre o envio de tropas de paz.
"Estou absolutamente convencido de que precisamos de uma paz duradoura, não de um cessar-fogo, e para que isso aconteça precisamos de garantias de segurança", declarou Starmer a repórteres antes de seu encontro com Trump. No entanto, ele se recusou a detalhar qual seria o formato exato do "garantia de segurança" defendido pelo Reino Unido, indicando que este ainda é um tema de negociação.
A proposta também encontra resistência na própria Europa. Enquanto a França tem se mostrado disposta a enviar tropas para a Ucrânia, outros países, como a Polônia, rejeitaram categoricamente a ideia. Moscou, por sua vez, declarou que não aceitará qualquer presença de forças europeias no território ucraniano.
O desafio de Starmer é persuadir Trump a assumir um papel de fiador da segurança ucraniana, algo que o presidente norte-americano tem evitado. "Não vou dar garantias de segurança além de muito. Vamos fazer a Europa cuidar disso, porque estamos falando da Europa como o vizinho do lado", disse Trump antes da chegada do primeiro-ministro britânico.
A visita de Starmer acontece logo após a passagem do presidente francês Emmanuel Macron por Washington. Macron e Trump discutiram a possibilidade de implantar forças europeias de manutenção da paz, mas não houve um compromisso concreto dos EUA em relação à "garantia de segurança".
O Reino Unido busca reforçar sua relação especial com os Estados Unidos, um conceito cunhado por Winston Churchill após a Segunda Guerra Mundial. Para isso, Starmer aposta em diplomacia direta e em gestos de aproximação, como o jantar que teve com Trump em setembro passado na Trump Tower. Entretanto, a nova dinâmica da administração norte-americana impõe obstáculos a essa parceria.
Trump tem surpreendido os europeus ao tomar iniciativas unilaterais, como o recente contato direto com Vladimir Putin sem notificar aliados, além de enviar representantes para negociações na Arábia Saudita sem incluir a Ucrânia. O presidente também causou polêmica ao chamar o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy de "ditador" e sugerir, de maneira infundada, que Kiev teria iniciado a guerra.
Starmer, por sua vez, tem evitado confrontar diretamente as declarações de Trump. "É claro que o presidente tem sido muito claro sobre a paz que ele quer. Ele está certo sobre isso. Todos nós queremos paz", afirmou o primeiro-ministro britânico. "A questão é: como garantir que seja uma paz duradoura? Não há divergências entre nós sobre isso."
O desenrolar das negociações em Washington pode definir o próximo capítulo da estratégia ocidental para a Ucrânia. Sem um compromisso firme dos EUA, a estabilidade da região continuará incerta.
O presidente dos EUA, Donald Trump, argumentou que a meta atual de gastos com defesa da OTAN de 2% do PIB por ano – já um desafio para vários estados-membros – é muito baixa e deveria ser aumentada para 5%. Durante sua campanha de reeleição, Trump disse que consideraria “absolutamente” deixar o bloco se os membros não “pagassem suas contas”.
Os EUA alocam cerca de 3,4% do PIB para gastos militares, de acordo com uma estimativa de 2023 do Banco Mundial. Em contraste, os membros europeus da OTAN gastam uma média de 1,9%, menos de 60% dos gastos dos EUA, informou a Reuters no início deste mês, citando a S&P Global.
Atingir a meta de gastos militares de 5% proposta por Trump faria com que os déficits orçamentários da França e da Alemanha subissem para 4,6% e 8,9% em 2025, respectivamente, em comparação com as projeções atuais de 1,7% e 6%, estimou a S&P.
Desde 2022, os EUA e seus aliados forneceram mais de US$ 258 bilhões em ajuda à Ucrânia, incluindo mais de US$ 134 bilhões em assistência militar, de acordo com o Instituto Kiel da Alemanha. As nações ocidentais esgotaram seus estoques militares e lutaram para aumentar a produção de armas devido à desindustrialização, manufatura offshore, políticas verdes e sanções à energia russa.
Trump afirma que Washington gastou até US$ 350 bilhões na Ucrânia sob a administração de seu antecessor, Joe Biden, e prometeu recuperar esse dinheiro.
Moscou alertou que a ajuda militar da OTAN à Ucrânia efetivamente torna os estados-membros partes do conflito. Trump é o primeiro e único líder ocidental a reconhecer que uma das causas raiz do conflito na Ucrânia foi “a política 'agressiva' da administração anterior de arrastar a Ucrânia para a OTAN”, disse o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, na semana passada.
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