Scholz repreende Vance e defende posição da Europa sobre discurso de ódio e extrema direita
Vice-presidente dos EUA criticou líderes europeus por "censurar" a liberdade de expressão e atacando o "muro de proteção" contra a extrema direita alemã
Reuters - O chanceler alemão Olaf Scholz fez uma forte repreensão no sábado ao ataque do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, contra a posição da Europa em relação ao discurso de ódio e à extrema direita. Scholz afirmou que não cabe a outros dizer à Alemanha e à Europa o que fazer.
Na sexta-feira, durante o primeiro dia da Conferência de Segurança de Munique, Vance criticou duramente os líderes europeus, acusando-os de censurar a liberdade de expressão e atacando o "muro de proteção" dos principais partidos alemães contra a extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).
"Isso não é apropriado, especialmente entre amigos e aliados. Rejeitamos isso firmemente", disse Scholz na conferência no sábado, acrescentando que havia "boas razões" para não colaborar com o AfD.
O partido anti-imigração, que atualmente tem cerca de 20% das intenções de voto antes das eleições nacionais da Alemanha, marcadas para 23 de fevereiro, é tratado como um pária pelos demais grandes partidos alemães. A rejeição se deve ao tabu existente no país em relação à política ultranacionalista, em razão do passado nazista.
"Nunca mais fascismo, nunca mais racismo, nunca mais guerra agressiva. É por isso que uma esmagadora maioria em nosso país se opõe a qualquer um que glorifique ou justifique o criminoso Nacional-Socialismo", declarou Scholz, referindo-se à ideologia do regime nazista de Adolf Hitler, que governou a Alemanha entre 1933 e 1945.
Na sexta-feira, Vance se reuniu com o líder do AfD, após manifestar apoio ao partido como um parceiro político — uma postura que Berlim classificou como uma interferência eleitoral indesejada.
Referindo-se de forma mais ampla à crítica de Vance sobre as restrições da Europa ao discurso de ódio, que ele comparou à censura, Scholz afirmou: "As democracias de hoje na Alemanha e na Europa são fundamentadas na consciência histórica e na compreensão de que as democracias podem ser destruídas por radicais antidemocráticos.
"E é por isso que criamos instituições que garantem que nossas democracias possam se defender de seus inimigos, e regras que não restringem ou limitam nossa liberdade, mas a protegem."
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, também defendeu a posição europeia sobre o discurso de ódio.
"Ninguém é obrigado a adotar o nosso modelo, mas ninguém pode nos impor o deles", escreveu Barrot na rede X, de Munique. "A liberdade de expressão é garantida na Europa."
Ucrânia - A expectativa era de que as perspectivas para negociações sobre o fim da guerra entre Ucrânia e Rússia dominassem a conferência anual de Munique, especialmente após uma ligação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder russo, Vladimir Putin, nesta semana. No entanto, Vance praticamente não mencionou a Rússia ou a Ucrânia em seu discurso na sexta-feira.
Em vez disso, ele afirmou que a maior ameaça à Europa não era a Rússia ou a China, mas sim o que chamou de "abandono dos valores fundamentais da liberdade de expressão", além da imigração, que, segundo ele, está "fora de controle" na Europa.
Muitos dos delegados presentes na conferência assistiram ao discurso de Vance em silêncio atônito. Houve pouca ou nenhuma salva de palmas após suas declarações.
Ao ser questionado pelo moderador do painel se havia algo no discurso de Vance que merecia reflexão, Scholz arrancou risos e aplausos do público ao responder, de forma irônica e séria ao mesmo tempo: "Você quer dizer todas essas discussões muito relevantes sobre a Ucrânia e a segurança na Europa?"
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