Aliados cobram "refundação" do governo Lula e Centrão quer mais espaço na Esplanada
Pressão por reforma ministerial cresce após pesquisa Datafolha apontar desgaste do governo
247 - Ainda sob o impacto da última pesquisa Datafolha, aliados do presidente Lula (PT) defendem que o governo passe por uma “refundação” para corrigir erros e se preparar para a disputa eleitoral de 2026. Ministros do PT e de partidos de centro avaliam que Lula precisa definir rapidamente as mudanças no ministério para reorganizar o governo e retomar a iniciativa política na segunda metade do mandato.
Segundo a coluna da jornalista Julia Duailibi, do g1, o diagnóstico entre os aliados é praticamente consensual: falta estratégia e coordenação ao governo. Essa desconexão, segundo avaliações internas, já teria sido assimilada pela população, incluindo a base social que reelegeu Lula em 2022. O episódio da instrução normativa para fiscalizar o Pix é citado como exemplo do nível de insegurança transmitido pelo governo.
Auxiliares do presidente avaliam que Lula precisa consolidar um núcleo decisório mais unido e empoderado. Para isso, apontam como essencial melhorar a articulação entre os ministérios e superar o embate constante entre Rui Costa (Casa Civil) e Fernando Haddad (Fazenda).
"Rui cuida de coisas demais, tem muitas atribuições, mas não cuida do importante. Qual é a estratégia do governo? Precisa definir agora. Tem que sinalizar para o mercado no curto prazo o que vai ser feito", afirmou um ministro próximo do presidente.
Outro aliado do Planalto destacou que o cenário internacional e a desorganização interna também comprometeram os planos do governo. “Durante dois anos tivemos um cenário estável. As pesquisas pouco mudaram. Nossa linha era ampliar o apoio dos eleitores de centro, que não estão com Lula nem com Bolsonaro. Acreditávamos que isso ocorreria em 2025, com os resultados de tudo o que foi lançado. Mas os erros que cometemos desestruturaram todo nosso planejamento”, afirmou.
Até agora, Lula não convocou os partidos de centro para discutir a reforma ministerial. O tema já foi tratado com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mas os líderes partidários aguardam desde dezembro um chamado oficial do presidente para tratar do assunto.
Lula já sinalizou que iniciará a reforma pelas pastas chefiadas pelo PT, mas ainda não discutiu os detalhes com os petistas.
No alvo das mudanças estão a Secretaria-Geral da Presidência, comandada por Márcio Macedo, e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, sob o comando de Paulo Teixeira. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, é dada como certa para assumir a Secretaria-Geral, enquanto Paulo Pimenta, ex-ministro da Secom, é cotado para substituir Teixeira.
Ainda de acordo com a reportagem, os partidos de centro avaliam que Lula precisa abrir espaço para outras siglas dentro do Palácio do Planalto. Fragilizado no governo, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, tem seu cargo cobiçado. O líder do MDB na Câmara, Isnaldo Bulhões, desponta como um dos favoritos, assim como o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos-PB).
Isnaldo tem proximidade com Hugo Motta e a cúpula da Câmara e mantém boas relações dentro do PT. No entanto, aliados de Lula destacam que o presidente o conhece pouco, o que poderia tornar sua nomeação arriscada. Ainda assim, interlocutores do MDB afirmam que o nome do deputado foi citado pelo presidente durante sua recente viagem ao Pará.
O MDB, que integra a base do governo, diz não estar pleiteando mais cargos na esperada reforma ministerial. Porém, reforça que, se Isnaldo for nomeado, "o mérito é exclusivamente dele, e não uma articulação do MDB". O partido busca evitar que sua imagem fique atrelada ao PT antes das eleições de 2026.
O desejo inicial de Lula era vincular a reforma ministerial a um compromisso formal de apoio dos partidos de centro para 2026. Mas, ainda em 2024, caciques do PSD e do MDB já afirmavam que garantir esse compromisso era quase impossível. Com a queda na popularidade do governo, a missão se tornou ainda mais difícil.
"Não vai ser possível resolver 2026 agora, mas se você mandar flores agora, tem mais chance de se aproximar. Lula precisa fazer mais gestos, precisa fazer mais política", afirmou um aliado do presidente, defendendo maior espaço para os partidos de centro, de acordo com a reportagem.
Uma das críticas recorrentes ao governo Lula nesse terceiro mandato é a dificuldade de acesso ao presidente. A barreira costuma ser atribuída à primeira-dama, Janja da Silva, e ao ministro Rui Costa. Para evitar um isolamento maior, aliados defendem que Lula se torne mais acessível a deputados e senadores.
Interlocutores do governo interpretam os encontros recentes do presidente com Hugo Motta e Davi Alcolumbre como sinais de uma mudança de postura. Resta saber se as negociações para a reforma ministerial irão, de fato, destravar as articulações políticas do governo para 2026.
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