Lula pode retomar diálogo com partidos da base e destravar reforma ministerial
Viagem ao Japão e Vietnã reforçou aproximação com Congresso e pode abrir caminho para trocas na Esplanada
247 – De volta ao Brasil após missão diplomática no Japão e no Vietnã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma nova rodada de articulações com líderes partidários e da cúpula do Congresso Nacional para tentar destravar a aguardada reforma ministerial. A informação foi publicada nesta segunda-feira (1º) pela Folha de S.Paulo, que ouviu parlamentares e auxiliares do governo sobre os próximos passos do presidente.
Segundo o jornal, a movimentação de Lula ocorre após meses de negociações emperradas e deve marcar uma tentativa mais incisiva de reconfigurar a Esplanada dos Ministérios. O gesto é visto por aliados como uma sinalização de que o presidente pretende assumir protagonismo na articulação política, atendendo a uma demanda antiga de congressistas que pedem maior envolvimento direto do chefe do Executivo nas tratativas.
Durante a viagem à Ásia, Lula convidou para compor sua comitiva figuras centrais do Legislativo, como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), além de líderes de partidos como MDB, União Brasil e PP. Também integraram o grupo o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ambos anteriormente cotados para ocupar ministérios no governo.
Apesar de Pacheco ter descartado essa possibilidade em reunião com Lula no dia 15 de março, e de Lira afirmar que não houve conversa concreta sobre o assunto, interlocutores do presidente não excluem futuras nomeações estratégicas, caso haja interesse mútuo. Um aliado de Lira afirmou à Folha que sua entrada no governo não está descartada, caso surja convite para uma pasta considerada relevante.
Quatro parlamentares que acompanharam a missão presidencial à Ásia relataram ao jornal que a iniciativa de aproximar-se do Congresso teve impacto positivo. Eles destacaram que, desde o início do terceiro mandato, há um desejo claro por parte dos parlamentares de mais diálogo direto com Lula, especialmente para resolver impasses políticos e abrir espaço para decisões conjuntas.
Ainda de acordo com os relatos, há uma percepção de que o presidente demonstra mudança de postura. “Quando nós voltarmos ao Brasil, vamos discutir as coisas que temos que discutir”, afirmou Lula durante entrevista no Japão, ao justificar a ausência de tratativas políticas durante a viagem. “Não seria louco de discutir o assunto durante a viagem”, completou.
A expectativa é que, nos próximos dias, Lula se reúna individualmente com Motta e Alcolumbre para tratar das possíveis trocas ministeriais. As conversas devem incluir também os presidentes dos partidos com representantes no governo, como Gilberto Kassab (PSD) e Marcos Pereira (Republicanos), ambos com históricos recentes de críticas à gestão petista.
Entre as legendas que integram a base aliada, mas que ensaiam distanciamento com vistas às eleições de 2026, estão União Brasil, PSD e Republicanos. As três siglas somam sete ministérios e já demonstraram insatisfação com seus espaços na Esplanada. No caso do PP, partido de Fufuca (Ministério do Esporte), há até setores que cogitam desembarque do governo.
Mesmo diante da queda de popularidade do governo, Lula já promoveu três trocas no primeiro escalão em 2025: Sidônio Palmeira assumiu a Secretaria de Comunicação Social no lugar de Paulo Pimenta, Gleisi Hoffmann ficou com a Secretaria de Relações Institucionais, substituindo Alexandre Padilha, que por sua vez foi deslocado para o Ministério da Saúde, no lugar de Nísia Trindade.
Apesar das incertezas, a nova ofensiva de Lula junto ao Congresso é vista como um esforço para reconstruir pontes e reduzir as tensões acumuladas ao longo dos dois primeiros anos de mandato. Um novo ciclo de diálogo mais frequente pode não apenas facilitar a reforma ministerial, mas também melhorar o ambiente político para votações de interesse do Palácio do Planalto ao longo de 2025.
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