Gari que encontrou bebê no lixo quer adotá-la e filhos já preparam quarto para acolhê-la
Família do gari Samuel da Silva Santos demonstra entusiasmo com a possibilidade de adoção da recém-nascida resgatada em lixeira na Zona Norte do Rio
247 - Uma recém-nascida foi encontrada dentro de uma sacola de lixo na madrugada da última terça-feira (1º), na Rua Ouro Preto, entre os bairros de Quintino e Cascadura, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O resgate foi feito por funcionários da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). A informação foi divulgada pelo g1.
Um dos garis que participaram do resgate, Samuel da Silva Santos, afirmou que pretende iniciar o processo de adoção da criança. Casado e pai de dois filhos, de 10 e 14 anos, ele revelou que nunca havia cogitado a adoção antes desse acontecimento. "Os irmãos já estão separando um quarto da casa para ela. Falei para eles que tem que esperar, tem muito trabalho para acontecer. Minha esposa achou que era só trazer a bebê para casa e eu tive que avisar que não pode levar para casa sem passar pela Justiça. 'Nós vamos adotar?', ela me perguntou quase que afirmando", relatou Samuel, entre risos.
O gari contou que, além da forte conexão criada no momento do resgate, deseja dar à menina a chance de conhecer sua própria história. "Eu quero contar a história de como ela foi encontrada, para que ela não fique perdida no mundo. Mas, por enquanto, eu vou esperar todos os procedimentos para entrar com o pedido", disse.
O processo de adoção, no entanto, segue uma série de etapas obrigatórias. Inicialmente, a Vara da Infância e da Juventude encaminha a criança para uma unidade de acolhimento. Posteriormente, são feitas tentativas de localizar familiares que possam assumir sua guarda. "Por determinação legal, antes de encaminhar uma criança ou adolescente à adoção, é necessário esgotar as possibilidades de (re)inserção familiar", informou a Justiça do Rio. Apenas se nenhum parente for encontrado ou não demonstrar interesse na guarda, a adoção pode ser formalmente iniciada.
O gari Anderson Nunes, que também participou do resgate, afirmou que essa foi a experiência mais emocionante de seus 16 anos de serviço na Comlurb. "Eu já vivi enchente, desabamento, protesto. Mas estar em uma situação dessas em que você salva vidas é emocionante demais. Demos o nome para a bebê de Vitória. Porque é isso que ela é. Vamos torcer para que encontrem a família dela. Se encontrar, vou estar visitando e independente de qualquer coisa", afirmou Anderson.
Samuel reforçou o desejo de que a criança encontre um lar onde receba amor e segurança. "Se não encontrar, ela já tem uma família. Ela que criou um vínculo com a gente, e esse vínculo não pode ser tirado", concluiu o gari.
A bebê foi socorrida por policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) e encaminhada para a Maternidade Herculano Pinheiro, em Madureira, onde permanecerá até atingir o peso ideal para alta médica. O caso foi registrado na 40ª DP (Honório Gurgel) e encaminhado à 29ª DP (Madureira), que segue com as investigações para identificar quem abandonou a criança.
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