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      'Escândalo da criptomoeda' abala a Argentina e Javier Milei

      Presidente é acusado de envolvimento em possível golpe cripto e enfrenta pedido de impeachment

      Javier Milei (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian)
      Guilherme Levorato avatar
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      247 - O presidente da Argentina, Javier Milei, causou polêmica ao promover, na última sexta-feira (9), uma criptomoeda chamada Libra ($LIBRA) em suas redes sociais. A divulgação fez o ativo digital disparar momentaneamente no mercado, mas uma rápida desvalorização levantou suspeitas sobre uma possível fraude. O escândalo, amplamente noticiado por veículos de comunicação como o portal argentino C5N, gerou uma forte reação da oposição, que já articula um pedido de impeachment contra o chefe de Estado.

      A criptomoeda, classificada como uma "shitcoin" pelos especialistas em criptoativos, chegou a atingir US$ 4,97 após a postagem de Milei, mas despencou para US$ 0,99 em poucas horas, uma desvalorização de mais de 80%. As chamadas "memecoins" costumam ter valor especulativo e pouca utilidade real, funcionando como uma aposta de alto risco para investidores. Para a oposição argentina, o envolvimento do presidente na promoção de um ativo de alta volatilidade configura uma grave irresponsabilidade.

      Em resposta ao episódio, a coalizão peronista União pela Pátria anunciou que apresentará um pedido de impeachment contra Milei. "A participação de Milei em um delito de estelionato cripto é de enorme gravidade. Nosso bloco de deputados nacionais decidiu avançar na apresentação de um pedido de julgamento político contra o Presidente da Nação", declararam os parlamentares opositores em nota.

      O escândalo ganhou contornos ainda mais graves após a revelação de que Milei havia se reunido, em outubro de 2024, com Julian Peh, CEO da KIP Protocol, empresa responsável pela criação do token Libra. O encontro não ocorreu na Casa Rosada nem na residência oficial do presidente, mas no Hotel Libertador, um estabelecimento privado pertencente ao empresário Eduardo Elsztain.

      O hotel tem histórico de ligação com Milei, pois foi usado como quartel-general de sua campanha eleitoral em 2023 e serviu de moradia para o presidente até janeiro de 2024. Registros oficiais indicam que, além de Peh, participaram da reunião o porta-voz do governo, Manuel Adorni, e Mauricio Novelli, cofundador do Tech Forum.

      A polêmica gerada pelo envolvimento de Milei com a criptomoeda e o token Libra se intensificou com as denúncias de opositores e especialistas em criptoativos, que alertam sobre os riscos de figuras públicas impulsionarem ativos digitais sem regulação adequada. O deputado Esteban Paulón, de Santa Fe, anunciou que apresentará um pedido de esclarecimento ao chefe de gabinete do governo, Guillermo Francos, exigindo explicações sobre o episódio e suas possíveis implicações legais.

      A crise também ecoou internacionalmente. O caso de Milei lembra uma iniciativa similar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que em janeiro lançou sua própria criptomoeda, aumentando rapidamente sua valorização no mercado. Contudo, analistas apontam que a situação de Milei é diferente, pois o ativo promovido pelo presidente argentino sofreu um colapso em poucas horas, deixando um rastro de prejuízos entre investidores.

      Pelo X, antigo Twitter, Milei publicou uma justificativa genérica para o caso e atacou opositores: "há algumas horas, publiquei um tweet, como tantas outras vezes, apoiando um suposto empreendimento privado com o qual, obviamente, não tenho qualquer vínculo. Eu não estava ciente dos detalhes do projeto e, depois de me informar melhor, decidi não continuar divulgando-o (por isso apaguei o tweet). Para as ratazanas imundas da casta política que querem aproveitar essa situação para causar dano, quero dizer que, todos os dias, confirmam o quão rasteiros são os políticos e aumentam ainda mais nossa convicção de expulsá-los a pontapés".

      A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, saiu em defesa de Milei, argumentando que "o Presidente não é o Estado" e tem "liberdade de expressão" para divulgar empreendimentos. Em entrevista à rádio Rivadavia, ela classificou a reação da oposição como uma tentativa de golpe político. "O que aconteceu ontem foi uma bomba atômica para tentar derrubar o Presidente de uma só vez. Pedir impeachment por um tweet é inacreditável", declarou.

      Bullrich afirmou que Milei promoveu a criptomoeda porque acreditava que investidores poderiam beneficiar o país, mas que decidiu apagar a publicação para evitar mais conflitos. Segundo ela, a empresa que criou o token Libra já havia trabalhado com a Cidade de Buenos Aires anteriormente, o que reforçaria sua legitimidade. "Não é uma empresa que surgiu do nada", disse a ministra.

      Além disso, a ministra reforçou que Milei continuará apoiando iniciativas privadas e que "dar um passo atrás" não significa fraqueza, mas sim evitar alimentar os opositores. "A lógica da oposição é tratar o Presidente como se fosse o Estado, mas ele é o líder de um governo, não o Estado", concluiu.

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