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      André Barroso

      Artista plástico da escola de Belas Artes da UFRJ com curso de pós-graduação em Educação e patrimônio cultural e artístico pela UNB. Trabalhou nos jornais O Fluminense, Diário da tarde (MG), Jornal do Sol (BA), O Dia, Jornal do Brasil, Extra e Diário Lance; além do semanário pasquim e colaboração com a Folha de São Paulo e Correio Braziliense. 18h50 pronto

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      A luta contra o fascismo continua

      Normalizar atitudes fascistas sempre foi um erro

      Mussolini e Hitler (Foto: Reprodução)

      Normalizar atitudes fascistas sempre foi um erro. O crescimento do movimento  agora se sente sem amarras e mostra a cara, como no caso do Elon Musk, que pediu para não se envergonharem dos gestos supremacistas. Por um tempo, o gesto de varrer para debaixo do tapete, pequenos atos fascistas. Como falar para uma sociedade dividida se é um gesto visto como preciosismo moralista ou assepsismo doentio? Se esse tapete parece limpo, para que limpar de verdade? Sobras de sujeiras e embaraços sociais que formam um calombo no tapete, não denunciam o acúmulo de anos de lixo embaixo dele. 

      A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, se tornou inelegível após condenação por rachadinha caixa dois, dos desvios de fundos da União Europeia, para custear os custos de campanha dela. A resposta da justiça foi uma execução  da democracia francesa, enquanto o discurso de Le Pen, ao final da sentença, foi dizer que estão conspirando contra ela para não vencer as eleições na França. Te lembra alguém também da extrema direita no Brasil?  Afinal, os discursos da extrema direita mundial são conectados. Basta lembrar que eles defendem o Estado enxuto, como Milei tem feito na Argentina. Todo liberal, acredita que as desigualdades sociais fazem parte de uma ordem natural e que a redução do Estado libertaria as forças econômicas. Conceito surgido no regime de Benito Mussolini.

      Por isso os tapetes não servem para decoração. Servem para a faxina. Varrer para debaixo do tapete parece para os olhos de quem vê, como uma polidez que não dá trabalho. Faxina que não precisa de faxina. Esse conceito nos custou caro nos dias atuais. Aliás, o próprio Mussolini produziu materiais discursivos para normalizar e institucionalizar o fascismo na Itália. Existem três pilares da estabilidade do movimento: legitimação, repressão e cooptação. Alguns estudos achavam que esses ideais só prosperariam na Europa, como Renzo de Felice achava que o fascismo teria seus limites na Europa do início do século XX, devido a características do continente que não poderiam ser reproduzidas em outros lugares, como  a formação tardia de Estados-nações, a decadência moral, os impactos da Primeira Guerra Mundial e a ameaça Bolchevique.

      Mas podemos ver como afirma Emilio Gentile, fascismo ante a ideia de religião política. Para o historiador italiano, o processo de secularização com o advento da modernidade, aliado com a política de massas, criou uma fronteira confusa entre religião e política. Desta forma, osmovimentos nazifascistas do século XX formam uma espécie de culto, com elementos de uma religião, como dogmas e a crença em um líder infalível. O medo de Bolsonaro, Le Pen, Trump é perder essa condição de adoração de massas, com a sociedade apontando suas falhas morais e ladronagem a torto e direito.

      O argumento é o que está feito está feito e custa muito ser desfeito. Afinal, “Comunista é o pseudônimo que os conservadores, os conformistas e os saudosistas do fascismo inventaram para designar simplisticamente todo o sujeito que clama e luta por justiça social”. Para quem lembra, essa é uma frase do livro de Érico Veríssimo, Incidente em Antares. Para o mercado, tanto faz se quem os representa ser um fascista, mas ao primeiro sinal de fraqueza popular, descoberta de suas tramoias ou falta de apoio, é defenestrado sem dó nem piedade. Le Pen sairá dos holofotes nesse momento. Continuará influenciando o movimento. Já encontramos essa vertente em Freud, que na psicologia de massa do fascismo, mostra que quando o líder mostra fraqueza, tende a ser substituído por outro.

      Os tapetes precisam estar no lugar e a indignação ser um sentimento presente.

      * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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