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    China acelera transição energética e abre caminho para protagonismo do Brasil, diz CEO da Vale

    Gustavo Pimenta afirma que o compromisso chinês com a descarbonização cria oportunidades para o Brasil liderar com seus minerais críticos

    Gustavo Pimenta (Foto: Divulgação / Vale)
    Redação Brasil 247 avatar
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    247 – O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, destacou o compromisso da China com a transição energética e a inovação industrial como uma grande oportunidade para o Brasil exercer protagonismo na nova economia verde. Em entrevista concedida ao Globo durante visita a Pequim, Pimenta afirmou: “A China não está recuando em nada nessa agenda de transição energética. Pelo contrário, está acelerando.”

    Desde que assumiu a presidência da mineradora em outubro, Pimenta tem reforçado a importância do mercado chinês, responsável por 60% das receitas da Vale. Após visitas a Xangai e Pequim, o executivo percebeu uma virada de clima na economia chinesa. “O tom mudou bastante. A atividade econômica tem reagido. Muito estímulo ao consumo, manufatura aquecida e investimentos consistentes em infraestrutura”, relatou.

    Pimenta destacou que, mesmo diante da crise no setor imobiliário, a produção de aço na China se manteve estável, acima de 1 bilhão de toneladas por ano, sustentada por uma aceleração na manufatura e nos setores de energia limpa — como painéis solares e turbinas eólicas — que continuam demandando grandes volumes de minério de ferro. “Foi uma mudança impressionante, porque conseguiram fazer esse ajuste de forma relativamente rápida”, disse.

    A agenda de descarbonização chinesa, mesmo diante de pressões externas — como as políticas protecionistas dos Estados Unidos — segue firme e, segundo o CEO, beneficia diretamente a Vale. “Nossa tese é descarbonização. E nossos produtos, de alto teor, se beneficiam disso. O aço vai continuar sendo produzido, mas é preciso encontrar rotas que não utilizem carvão. E a Vale é o ofertante de maior qualidade do mundo”, afirmou.

    Entre os produtos de destaque está o “briquete verde”, uma inovação desenvolvida pela companhia que reduz significativamente as emissões de carbono na produção de aço. “Depois de décadas de estudo, lançamos um produto que pode ser uma revolução na indústria. Substitui a pelota e, quando colocado no forno, reduz a geração de CO2.”

    Além disso, a Vale vem investindo em tecnologia para tornar sua operação mais sustentável e eficiente. Um exemplo é a frota de 172 navios com tecnologia rotor sail, que aproveita a força dos ventos para reduzir em até 7% as emissões de carbono. “Não é algo que muda o negócio da noite para o dia, mas são incrementos tecnológicos que vão melhorando a operação e reduzindo riscos e emissões”, pontuou Pimenta.

    A relação entre Brasil e China também foi um ponto abordado pelo executivo, que vê sinergia estratégica entre os dois países. “A questão dos minerais críticos se tornou central na geopolítica. E o Brasil talvez seja a maior potência nesse campo. O petróleo do próximo século serão os minerais raros”, declarou. Ele defendeu que a China, como grande demandante, pode ajudar o Brasil não só como compradora, mas também como parceira tecnológica.

    O CEO destacou ainda o alinhamento entre os interesses da Vale e do governo brasileiro. “Somos um dos maiores investidores do Brasil e vamos continuar sendo. O que a gente quer fazer como companhia está muito alinhado com o que o governo quer: investir, gerar emprego, renda e royalties”, concluiu.

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