Em meio a articulações com governadores de direita, Bolsonaro busca Hugo Motta para acelerar anistia
Intenção é que o ex-mandatário atue como fiador político do projeto de anistia aos golpistas, pressionando pela sua inclusão na pauta prioritária da Câmara
247 - Jair Bolsonaro (PL) pretende recorrer diretamente ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para defender a tramitação acelerada do projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Segundo aliados próximos do ex-mandatário ouvidos pela coluna do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, Bolsonaro deve procurar Motta nos próximos dias, logo após o ciclo de reuniões que lideranças bolsonaristas terão com o parlamentar para debater o pedido de urgência da proposta. A intenção é que Bolsonaro atue como fiador político da anistia, pressionando pela sua inclusão na pauta prioritária da Câmara.
A movimentação ocorre em meio à intensificação da articulação de deputados da extrema direita para tentar aprovar a anistia aos condenados e investigados pelos ataques antidemocráticos às sedes dos Três Poderes em Brasília. Conforme antecipado pela coluna, Hugo Motta deverá se reunir nesta terça-feira (1) com o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), além de lideranças de outras siglas que endossam a urgência do projeto.
A previsão do grupo é protocolar o requerimento de urgência dois dias depois, na tradicional reunião de líderes que ocorre às quintas-feiras na Casa. Caso aprovada a urgência, a matéria poderá ser votada diretamente no plenário, sem passar pelas comissões, o que facilitaria sua tramitação.
Desde que virou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a acusão de tramar um golpe de Estado, o exmandatário intensificou articulações políticas com governadores de direita para ampliar o apoio ao projeto de anistia dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro.
A movimentação de Bolsonaro, revelada em reportagem publicada nesta segunda-feira (1) pelo jornal O Globo, tem como pano de fundo não apenas a disputa narrativa sobre os atos golpistas, mas também a tentativa de manter sua influência no tabuleiro político de 2026, mesmo diante da inelegibilidade.
Nesta linha, Bolsonaro fez acenos em direção aos governadores Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO) e Ratinho Júnior (PSD-PR), todos cotados como possíveis candidatos à Presidência da República em 2026. O objetivo imediato é garantir a presença dessas lideranças em um ato pró-anistia marcado para este fim de semana, em São Paulo, ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu aliado mais próximo e considerado o principal herdeiro político do bolsonarismo.
O movimento do ex-mandatário é pragmático: ao atrair governadores com base eleitoral significativa, ele busca fortalecer a base política para pressionar o Congresso a aprovar o projeto de anistia, especialmente com o apoio do PSD, partido de Ratinho Jr. e do ex-ministro Gilberto Kassab. Nesta sexta-feira, Bolsonaro almoça com o governador do Paraná em Curitiba, onde a expectativa é que renove o convite para o ato em São Paulo.
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