"Governo Lula mudou seu discurso, saiu do ajuste fiscal e foi para a justiça tributária", diz Altman
Para o jornalista, mudança na política econômica marca um "giro à esquerda" e recoloca o governo no rumo de sua base popular. Assista na TV 247
247 - Em entrevista ao programa Bom Dia 247, o jornalista Breno Altman afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um passo importante ao trocar a ênfase no ajuste fiscal pela defesa da justiça tributária. Segundo ele, trata-se de uma mudança significativa de agenda, com implicações políticas e econômicas profundas.
“Ao apresentar finalmente o projeto de isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais [...] ao mesmo tempo em que tributa aqueles que possuem uma renda anual superior a R$ 600 mil, o governo está dando um primeiro passo no sentido da justiça tributária e mudando a agenda do país”, avaliou Altman.
A declaração ocorre na esteira da apresentação da proposta do Ministério da Fazenda que prevê isenção do imposto de renda para a faixa salarial de até R$ 5 mil mensais e criação de uma alíquota de 10% sobre lucros e dividendos para os chamados super-ricos. A proposta foi detalhada nesta semana pelo ministro Fernando Haddad, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República.
Altman destacou o impacto político da mudança de foco. “Durante quase um ano, qual foi a agenda do governo? Ajuste fiscal. Não é à toa que, nesse período, o que nós tivemos foi queda de popularidade do governo. [...] O ajuste fiscal está precificado na consciência do povo brasileiro como sinônimo de perda de direitos”, disse.
Segundo o jornalista, a nova proposta fiscal representa um “giro à esquerda” do governo. “O governo dá um primeiro passo no sentido de colocar a agenda popular com mais peso do que a agenda do ajuste fiscal. [...] É uma troca relativa de agendas. O predomínio da agenda fiscalista vai se reduzindo em prol de um peso maior para a agenda distributiva.”
Altman também apontou que a medida pode ter repercussões importantes para o cenário eleitoral de 2026. “Isso trará benefícios do ponto de vista da popularidade do governo e das perspectivas para a disputa eleitoral. [...] Toda caminhada começa com o primeiro passo.”
Ao comentar os dados históricos, Altman ressaltou que o Brasil já teve faixas mais progressivas de tributação. “Ironicamente, a maior taxa de isenção no imposto de renda que a gente teve na nossa história foi durante o regime militar. [...] Na redemocratização, o que se expandiu foi a base de pagamento para baixo. Ou seja, os mais pobres passaram a pagar imposto.”
Para ele, a proposta do governo Lula pode representar uma correção dessa distorção. “De toda maneira, é um primeiro passo para enfrentar a injustiça tributária. Oxalá seja o início de uma caminhada consistente e longa para superar esse problema.”
Altman também refletiu sobre a estratégia política do governo ao atrair partidos que compuseram a base de apoio de Jair Bolsonaro. Para ele, a presença de figuras como Arthur Lira na comitiva presidencial no Japão é parte de uma tática de ampliação da coalizão rumo a 2026. “A lógica do presidente Lula, ao que tudo indica, é preservar a frente ampla como tática e expandi-la no rumo de uma frente amplíssima.” Assista:
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