"O Brasil precisa de um choque de reconstrução", diz professor Jorge Figueiredo
Especialista em exploração de petróleo aborda os desafios ambientais e econômicos da indústria no país
247 - A entrevista com o professor Jorge Figueiredo, especialista em exploração de petróleo e questões ambientais, exibida no programa Boa Noite 247, abordou os impactos da atividade petrolífera no Brasil, destacando a importância do planejamento estratégico e da adoção de tecnologias avançadas para reduzir os riscos. Com uma abordagem técnica e equilibrada, suas declarações trouxeram reflexões fundamentais sobre um tema que tem sido alvo de intensos debates.
Ao falar sobre os desafios da exploração de petróleo no Brasil, o professor destacou que "nós não tivemos nenhum acidente" significativo nas bacias de Campos e Santos, que respondem por grande parte da produção nacional desde as décadas de 1980 e 2000, respectivamente. Ele ressaltou que essas operações "não causaram nenhum problema para o meio ambiente costeiro do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina". Essa constatação, segundo ele, demonstra que é possível conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental, desde que haja rigor técnico e monitoramento contínuo.
Figueiredo também explicou que a preocupação com distâncias da costa na exploração offshore é frequentemente mal compreendida. "O que é mandatório não é a distância da costa, mas sim a lâmina d’água", afirmou. Ele detalhou que a plataforma continental, região rasa onde há maior biodiversidade, varia de acordo com a localização geográfica. Na Bacia da Foz do Amazonas, por exemplo, ela pode chegar a 150 quilômetros de largura, enquanto no litoral do Rio de Janeiro se limita a cerca de 70 quilômetros. Além disso, lembrou que há 18 mil anos, durante o ápice do último período glacial, o nível do mar estava muito mais baixo, o que significa que "não existia plataforma" nesse período.
Outro ponto importante abordado pelo professor foi a questão das correntes marinhas e seus possíveis impactos em caso de vazamentos. Ele reconheceu que existe um risco associado à Corrente Norte Brasileira, que flui de leste para oeste e poderia transportar rapidamente poluentes até a costa. Contudo, frisou que empresas como a Petrobras já realizam modelagens matemáticas sofisticadas para prever esses cenários. "Quando a gente tava na Petrobras, a gente já fazia isso. Existem softwares que simulam o comportamento das correntes em diferentes épocas do ano", explicou. Para ele, é fundamental que qualquer projeto de exploração seja precedido por estudos rigorosos, como o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), que inclui essas análises.
O professor também chamou atenção para a relevância da exploração na Bacia da Foz do Amazonas, onde os poços propostos estão localizados em águas profundas, no sopé do talude, a cerca de 1.800 metros de profundidade. "Está distante da região ambientalmente sensível", disse, embora tenha admitido que os riscos precisam ser avaliados com cautela.
Por fim, Jorge Figueiredo reforçou a necessidade de o Brasil adotar uma postura estratégica em relação aos seus recursos naturais. "O Brasil precisa de um choque de reconstrução", declarou, referindo-se à urgência de investir em infraestrutura, tecnologia e políticas públicas que promovam o desenvolvimento sustentável. Para ele, o país tem potencial para se tornar uma referência global em exploração responsável de petróleo, mas isso exige compromisso com a ciência e o meio ambiente. Assista:
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