Tesla, de Elon Musk, amplia presença na China com megafábrica em Xangai
Se na política, ao lado de Trump, Musk ataca a China, nos negócios o bilionário segue investindo e exaltando a cooperação com o país asiático
247 - A Tesla iniciou nesta terça-feira (11) a produção na sua nova fábrica em Xangai, uma unidade dedicada à fabricação de baterias de armazenamento de energia conhecidas como 'Megapacks'. A informação foi divulgada pela Xinhua, destacando que a montadora americana continua expandindo sua presença na China, o maior mercado mundial de energia renovável.
A nova unidade industrial é a primeira Megafactory da Tesla fora dos Estados Unidos e representa um investimento significativo da empresa em solo chinês, mesmo em um cenário de tensões comerciais entre os dois países. "A decisão da Tesla mostra a confiança das empresas americanas no mercado chinês e na sua capacidade produtiva", afirmou Wu Qisheng, pesquisador da Academia de Ciências Sociais de Xangai.
Produção em ritmo acelerado - A fábriga de Xangai começou a operar apenas oito meses após o início da construção, um feito que reforça o conceito de "velocidade Tesla". A montadora já havia surpreendido o mercado em 2019, quando concluiu sua primeira Gigafactory em Xangai em menos de um ano. Com capacidade inicial para produzir 10 mil unidades por ano, o equivalente a cerca de 40 gigawatts-hora de armazenamento de energia, a nova planta é fundamental para a estratégia da empresa de aumentar em pelo menos 50% suas implantações de armazenamento de energia até 2025.
Durante a cerimônia de inauguração, o vice-presidente da Tesla, Mike Snyder, destacou o dinamismo da cidade e da empresa: "Testemunhamos novamente a incrível velocidade de Xangai e da Tesla. Estou entusiasmado por ver esta fábrica iniciar um ano promissor para a empresa".
A Megafactory de Xangai ocupa uma área de aproximadamente 200 mil metros quadrados e demandou um investimento de cerca de 1,45 bilhão de yuans (US$ 202 milhões). A unidade está localizada na área especial de Lin-gang, na Zona de Livre Comércio de Xangai, um polo industrial que, desde a inauguração da Gigafactory da Tesla, atraiu mais de 160 empresas do setor automotivo e de energia.
China como epicentro da transição energética - A Tesla se consolidou como uma das marcas mais populares na China, o maior mercado de veículos elétricos do mundo. Aproximadamente dois terços dos veículos produzidos na Gigafactory de Xangai são vendidos no mercado interno, enquanto um terço é exportado para a Europa e outros mercados. Com a Megafactory, a empresa também reforça seu papel no fornecimento global de baterias de armazenamento de energia, mirando expansão para a Austrália e outros países.
A crescente demanda por soluções de armazenamento reflete a transição energética da China. Dados da Administração Nacional de Energia do país indicam que, em 2024, 86% da nova capacidade de energia instalada no país veio de fontes renováveis. O estoque total de energia renovável na China agora representa um recorde de 56% da matriz energética nacional.
Cooperação e desafios no cenário global - Apesar das tensões comerciais entre Pequim e Washington, a Tesla reforça a possibilidade de cooperação entre as duas maiores economias do mundo. "Ainda há espaço para colaboração entre China e EUA na solução de desafios climáticos, principalmente no avanço da tecnologia de armazenamento de energia", afirmou Liu Qing, vice-presidente do Instituto de Estudos Internacionais da China.
O próprio CEO da Tesla, Elon Musk, expressou recentemente sua intenção de expandir os investimentos da empresa na China e continuar promovendo o diálogo econômico e comercial entre os dois países. "Planejamos ser um grande contribuidor para a transformação ecológica da China", reforçou um executivo da montadora.
Em meio a um ambiente de crescente protecionismo e tentativas de desacoplamento da economia chinesa por parte dos EUA, a Megafactory de Xangai se destaca como um exemplo de que a cooperação econômica ainda pode prosperar em setores estratégicos. A inauguração da nova unidade é um passo importante para a Tesla e um marco na busca por uma matriz energética mais limpa e integrada globalmente.
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