PT pode abrir mão da Comissão de Educação para barrar Eduardo Bolsonaro nas Relações Exteriores
"Não podemos deixar que Bolsonaro use a Câmara para fazer ataques à soberania e a autoridades brasileiras", diz o líder do PT, Lindbergh Farias
247 - O PT considera abrir mão da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados para impedir que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) assuma a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden), informa o jornal O Globo.
A Creden é um dos colegiados mais estratégicos da Câmara, sendo responsável por representar o Legislativo em organismos internacionais e analisar pautas relacionadas à diplomacia e política externa do Brasil. Diante da possibilidade de Eduardo Bolsonaro comandar a comissão, o PT busca um acordo para que o posto seja ocupado por um partido de centro, como o PSDB.
A definição sobre as presidências das comissões ocorrerá nas primeiras semanas de março. Como maior partido da Casa, o PL tem prioridade na escolha, com direito a duas indicações iniciais. A legenda deve optar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pela Comissão de Saúde, esta última por gerir um dos maiores orçamentos da Câmara. Em seguida, é a vez do PT escolher sua comissão de preferência.
Inicialmente, os petistas priorizariam a Comissão de Educação, mas estão dispostos a trocá-la pela Creden caso não haja um acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que um partido de centro assuma o colegiado de Relações Exteriores. O temor é que, na segunda rodada de escolhas, o PL volte a indicar um nome e coloque Eduardo Bolsonaro no comando da Creden.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, reforçou a preocupação do partido em evitar que a comissão seja usada como plataforma de ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a autoridades brasileiras. “Não podemos deixar que Bolsonaro use a instituição da Câmara dos Deputados para fazer ataques à soberania e a autoridades brasileiras”, afirmou.
A preocupação dos petistas também aumentou após a recente ofensiva de Eduardo Bolsonaro contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Nesta quarta-feira (28), o Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei que pode barrar Moraes de entrar no país ou até mesmo deportá-lo caso a legislação entre em vigor e ele esteja em solo americano. A articulação foi liderada pelo deputado brasileiro, em parceria com republicanos nos EUA.
Além disso, o perfil oficial do Departamento de Estado americano para o Hemisfério Ocidental fez uma postagem no X (antigo Twitter), em aparente resposta às decisões de Moraes contra plataformas digitais. “Respeito pela soberania é uma via de mão dupla para todos os parceiros dos EUA, incluindo o Brasil. Bloquear o acesso à informação e impor multas a companhias sediadas no território americano por se recusar a censurar pessoas residentes nos Estados Unidos é incompatível com os valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão”, afirmou a publicação.
A manifestação ocorre em meio à decisão recente de Alexandre de Moraes de suspender a plataforma Rumble no Brasil. O ministro do STF ordenou a derrubada da rede social porque a empresa se recusou a remover postagens do blogueiro Allan dos Santos, foragido nos EUA.
Diante desse cenário, o PT avalia que Eduardo Bolsonaro no comando da Creden pode fortalecer a ofensiva bolsonarista contra o STF e abrir espaço para novos embates com autoridades internacionais. A disputa pelo comando das comissões promete ser um dos primeiros grandes confrontos políticos do ano na Câmara.
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