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      Nove meses após enchente, Porto Alegre ainda aguarda reformas na maioria das casas de bomba que colapsaram

      Das 19 estações que falharam na cheia, apenas quatro foram licitadas e outras quatro devem ser licitadas até o final de março

      Enchente em Porto Alegre (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
      Otávio Rosso avatar
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      247 - A maioria dos equipamentos que fazem parte do sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre e colapsaram nas enchentes de maio de 2024 ainda não têm data para obras, informa a Folha de S. Paulo. Das 19 Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) que falharam na cheia, apenas quatro foram licitadas e outras quatro devem ser licitadas até o final de março. As demais seguem sem previsão.

      De acordo com a Prefeitura de Porto Alegre, todas as estações estão funcionando atualmente. Estão em obras as Ebaps 17 e 18, localizadas no Centro Histórico da capital gaúcha, um dos bairros mais atingidos pelas enchentes. Segundo a administração municipal, as equipes trabalham na finalização, com concreto armado, das chaminés de equilíbrio criadas para proteger as casas de bombas de novas cheias.

      Os projetos do próximo conjunto de estações a terem obras licitadas, que compreendem as unidades de números 5, 6, 8 e 10, devem ser entregues à prefeitura no final do primeiro trimestre.

      Segundo o professor Fernando Dornelles, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS (IPH), as obras realizadas são de caráter emergencial, para evitar o reflexo das casas de bomba, como ocorreu em 2024. "As emergenciais precisam estar prontas o quanto antes, não se espera que aconteça por agora um evento igual ao de 2024, mas a cidade já pode ter problemas com 3,5 metros a mais de água".

      Em outro ponto sensível do sistema de drenagem de Porto Alegre, o Departamento Municipal de Águas e Esgotos (Dmae) também está conduzindo a substituição de três comportas rompidas na Avenida Castelo Branco. A licitação para as obras foi encerrada em janeiro e quatro empresas apresentaram propostas. A definição da empresa vencedora está prevista para as próximas semanas, com o valor da obra estimado em R$ 9 milhões.

      Além disso, o fechamento definitivo da comporta 3, no Centro Histórico, foi finalizado em 15 de janeiro, após um mês de intervenções. Outras comportas, como as de números 8, 9, 10 e 13, também estão em processo de concorrência pública, com três empresas interessadas, e a licitação está prevista para ser concluída em breve.

      Dornelles afirma que não classifica o ritmo das obras como atrasado, mas aponta para a falta de conhecimento da importância do sistema para a cidade.  Como exemplo, cita que a demolição de estruturas fixas, como o muro da Mauá, era alvo de discussões antes da enchente do ano passado. Segundo ele, as enchentes no Vale do Taquari, em 2023, já tinha trazido o alerta para a administração de Porto Alegre sobre o que estava por vir.

      "Em 1941, a gente teve a grande cheia e nos anos 1960 caiu a ficha, com o Guaíba superando os três metros e boa parte da cidade inundada. Na década de 70, construíram os diques e as casas de bombas. Depois, em 2015 a gente chegou quase nos três metros, quando as comportas viárias do Cais Mauá foram fechadas. Em 2023, teve o último grande aviso de que a inundação pode acontecer em qualquer momento", explica.

      O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), estão nos Países Baixos com o objetivo de conhecer soluções para as inundações. Nos últimos meses, episódios isolados de chuvas voltaram a causar transtorno em alguns pontos da capital gaúcha, reacendendo críticas à gestão municipal.

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