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      Idealizador de projeto contra escala 6x1 cobra apoio de Lula

      "O governo não apoia a nossa discussão como a gente gostaria”, lamenta o vereador

      O movimento VAT tem conseguido notoriedade pela sua divulgação por órgãos do grande capital (Foto: Reprodução)
      Guilherme Levorato avatar
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      247 - Em entrevista concedida ao jornal O Globo, o vereador Rick Azevedo (Psol-RJ), principal nome à frente da campanha pelo fim da escala de trabalho 6x1, critica o governo federal por supostamente negligenciar a pauta que tem mobilizado amplamente a classe trabalhadora nas redes sociais. “Falta, principalmente, o apoio do presidente Lula”, afirmou o parlamentar, ao comentar os obstáculos enfrentados para avançar com o projeto no Congresso Nacional.

      A proposta foi formalmente apresentada em fevereiro deste ano pela deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), que levou a discussão ao núcleo político do governo durante reunião com a ministra Gleisi Hoffmann (PT), da Secretaria de Relações Institucionais. Hoffmann demonstrou interesse no tema e prometeu buscar articulação com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Azevedo, no entanto, avalia que a falta de empenho do Executivo está travando o debate.

      Voz das ruas e redes sociais - O parlamentar carioca ganhou notoriedade ao vocalizar a insatisfação popular com a jornada 6x1, que impõe apenas um dia de descanso por semana ao trabalhador. Para ele, a viralização do tema é resultado da identificação direta com a base da classe trabalhadora. “Acredito que isso aconteceu por conta da revolta da classe trabalhadora, um grito que estava engasgado e que se uniu ao meu. Isso transformou a pauta pelo fim da escala 6x1 em um movimento grandioso”, disse.

      Apesar de liderar o debate, Rick evita assumir o protagonismo. Segundo ele, seu papel é dar voz a uma luta coletiva. “Estamos muito unidos não só aqui no Rio, mas também em São Paulo para fazer isso acontecer”, declarou, ao citar os preparativos para manifestações no próximo 1º de maio em várias capitais do país.

      Pressão sobre o Planalto - Embora o Psol integre a base de apoio do presidente Lula (PT), Rick Azevedo é categórico ao afirmar que o governo não tem feito o suficiente. Ele reconhece que o contexto político exige articulação e paciência, mas critica a falta de diálogo. “Nesse meio tempo, o governo não apoia a nossa discussão como a gente gostaria”, afirmou.

      Azevedo também ressaltou que a adesão à pauta pode render dividendos políticos ao governo. “Agora, obviamente, que os políticos que ficarem do lado desse projeto também vão ganhar com isso. Até porque a política é isso: quando se faz algo positivo, ganha-se capital eleitoral”, comentou, ao projetar efeitos para as eleições de 2026.

      Trâmite no Congresso e mobilização social - Com a Proposta de Emenda à Constituição já protocolada, a próxima etapa será a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, agora sob comando do União Brasil. Azevedo alerta para a resistência esperada de parlamentares bolsonaristas e aposta na pressão popular para garantir o avanço da proposta. Ele também participa de reuniões técnicas em Brasília para construir grupos de trabalho com a sociedade civil.

      No âmbito municipal, o vereador já apresentou um projeto de lei que proíbe a prefeitura do Rio de contratar empresas que adotem a escala 6x1. “As empresas devem se adaptar e colocar uma escala 5x2 ou elas não poderão ter esse tipo de contrato municipal”, explica. Para ele, é essencial “dar o exemplo de dentro”.

      Política nas redes e embate com a direita - Rick Azevedo é um dos nomes que melhor têm explorado as redes sociais para pautar temas progressistas. Ele rejeita o uso de fórmulas prontas para engajamento e aposta na identificação direta com os problemas cotidianos da população. “Sigo mostrando e expondo os problemas e, automaticamente, a classe trabalhadora se identifica porque eles passaram por esses problemas na pele”, argumenta.

      Em relação aos ataques da oposição nas redes, Azevedo afirma que sua estratégia é evitar a provocação e evidenciar as contradições dos adversários. “Eu jogo limpo e, quando você joga a verdade para quem é de mentira, eles acabam se contradizendo”, concluiu.

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