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    'Trump tomou conta de tudo, mas no momento certo vamos ter o nosso papel', diz Celso Amorim sobre discussões pela paz na Ucrânia

    "Vão ter que multilateralizar o processo, até mesmo para evitar os atritos naturais que existem entre Rússia e EUA. Deixa as coisas evoluírem" disse

    Celso Amorim (Foto: LOG PRODUÇÕES/TV 247)
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    247 - O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais e ex-chanceler Celso Amorim rejeita a tese de que o Brasil esteja ausente dos principais debates sobre o fim da guerra entre Ucrânia e Rússia. Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o diplomata argumentou que a exclusão do país — e de outros com propostas de paz — se deve à reconfiguração provocada pela volta do protagonismo dos Estados Unidos com Donald Trump, e não a um esvaziamento da liderança internacional de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    “A presença do Trump tomou conta de tudo com essas atitudes novas e inesperadas dele”, afirmou Amorim. “Não é só o Brasil [que parece ausente]. É o Brasil, a França, são todos os países que tinham um projeto de paz”, completou. Segundo ele, os EUA quebraram o gelo da negociação e empurraram outros atores para fora do tabuleiro diplomático.

    Para Amorim, o diálogo entre Washington e Moscou — que, segundo ele, deve evoluir — exigirá futuramente a participação de outros países. "O Putin está lá conversando com o Trump. Não vamos dar uma de Woody Allen e dizer: "olha aqui, você tem que me ouvir também". Mas, na medida em que isso [o diálogo entre EUA, Rússia e Ucrânia] se desenvolva, acho que ele vão precisar de outros países, de mediadores. Vão ter que multilateralizar o processo, até mesmo para evitar os atritos naturais que existem entre Rússia e EUA. Deixa as coisas evoluírem. No momento adequado, nós vamos ter, sim, um papel", ressaltou.

    A resposta também rebate críticas sobre uma possível retração do Brasil nos temas internacionais sob o terceiro mandato de Lula. Amorim usa como prova da vitalidade diplomática a viagem do presidente programada para maio, quando visitará a Rússia e a China e se reunirá com os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping.

    “O presidente está indo para a Rússia, onde vai ter uma reunião bilateral com o Putin, e para a China, onde vai se encontrar com Xi Jinping. Está mostrando claramente que o Brasil não está subordinado”, afirmou. Para ele, a agenda reforça a atuação ativa do país no Sul Global e demonstra que o Brasil busca caminhos autônomos, sem confronto com os EUA, mas com opções estratégicas.

    Questionado sobre rumores de que Lula teria sido aconselhado a “pisar no freio” nos temas internacionais, Amorim negou ter feito qualquer recomendação nesse sentido: “Não por mim. E acho que o presidente não se deixa orientar. Ele é dono da cabeça dele”, disse.

    O assessor ainda reforçou a importância do multilateralismo diante de negociações bilaterais de grande escala, como a aproximação entre EUA e Rússia. “Nesta primeira etapa, Trump quebrou o gelo na busca da paz. Quando uma superpotência como os EUA adota uma posição diferente da de quase todos os países do chamado Ocidente, as pedras do jogo têm que se rearrumar”, concluiu.

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