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Aumentar a Selic é medida excessiva para controlar a inflação e prejudica crescimento econômico, avalia CNI

Eventual alta colocará Brasil na contramão do que outros países vêm fazendo. Decisão do Copom será divulgada nesta quarta

O presidente da CNI, Ricardo Alban (Foto: CNI)

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247 - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia, em nota divulgada nesta terça-feira (17), que um eventual aumento da taxa básica de juros seria uma medida excessiva para controlar a inflação e prejudicaria o crescimento econômico. Nesta quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vai decidir o patamar da Selic, atualmente em 10,5% ao ano. Para a CNI, a elevação da taxa de juros seria um equívoco, refletindo excesso de conservadorismo do BCB.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, lembra que outros países vêm diminuindo as taxas de juros e que o Brasil tem a oportunidade de ajustar a Selic para baixo, sem diminuir o diferencial de juros em relação às economias mais desenvolvidas, especialmente os Estados Unidos, o que evitaria pressão sobre a taxa de câmbio e a inflação. “Os cenários econômicos, atual e prospectivo, principalmente de inflação, mostram que um aumento da Selic seria equivocado e um excesso de conservadorismo da autoridade monetária, com consequências negativas e desnecessárias para a atividade econômica. Além disso, colocaria o Brasil na contramão do que o mundo está fazendo nesse momento, que é a redução das taxas de juros”, afirma Ricardo Alban.

Inflação sob controle não justifica alta da Selic - A CNI aponta que o último resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,02%, ficando abaixo das expectativas capturadas pelo Relatório Focus do BCB, que projetavam alta de 0,02%. Com isso, a inflação acumulada nos últimos 12 meses caiu de 4,5%, em julho, para 4,24%, em agosto, abaixo do teto da meta de inflação para 2024, que é de 4,5%, e abaixo da inflação registrada em 2023, de 4,63%.

De acordo com a CNI, outro fato importante a ser considerado é a expectativa de inflação no horizonte relevante, aquele intervalo de 18 meses à frente, no qual o Banco Central se baseia para definir o nível da Selic. Esse ponto foi fortalecido pelo Decreto 12.079/2024, que passou a considerar que a meta será descumprida quando a inflação se desviar por 6 meses consecutivos da faixa do respectivo intervalo de tolerância – em vez de considerar apenas a inflação observada ao final do ano calendário.

Segundo a última previsão feita pelo próprio Banco Central, com um modelo que mantém fixa a Selic em 10,5% a.a., a inflação estaria em 3,2% ao final do horizonte relevante (de 18 meses à frente). Ou seja, apenas 0,2 ponto percentual acima da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, de 3%. A CNI considera que esse pequeno desvio não justifica a elevação da taxa de juros, que está em patamar elevado há bastante tempo e ainda marca uma política monetária bastante contracionista, mais do que capaz de manter a inflação sob controle.

A entidade pontua que a taxa de juros real do Brasil está acima da taxa de juros neutra – estimada pelo Banco Central – há 31 meses. Atualmente, a taxa de juros real é de 6,17% a.a., 1,42 p.p. acima da taxa de juros neutra.

Aumento prejudicaria recuperação da indústria de transformação e do investimento - Segundo a CNI, o aumento da Selic frustraria a recuperação da indústria de transformação e do investimento. No primeiro semestre de 2024, a indústria de transformação registrou alta de 1,9% frente ao semestre anterior, na série livre de efeitos sazonais, após acumular queda de 1,3% em 2023. Da mesma forma, no primeiro semestre de 2024, o investimento registrou alta de 5,6% frente ao semestre anterior, na série livre de efeitos sazonais, após acumular queda de 3% em 2023.

A alta da taxa de juros real também dificultaria a sustentabilidade das contas públicas, uma vez que cada ponto percentual a mais na Selic representa cerca de R$ 40 bilhões por ano em despesas com juros.

Na contramão do mundo - No cenário internacional, a CNI aponta que há uma clara tendência de afrouxamento dos juros, como nas economias centrais. Na semana passada, o Banco Central Europeu (BCE) promoveu um segundo corte de juros, de 0,25 p.p., reduzindo a taxa para 3,5% a.a. Nos EUA, os dados referentes ao comportamento mais benigno da inflação, associados à desaceleração da geração de novos postos de trabalho, devem levar o Fed (Banco Central dos EUA) a iniciar o ciclo de flexibilização da taxa de juros norte-americana em sua próxima reunião, esta semana, com expectativa de mais um corte a ser realizado ainda em 2024.

“Todo esse contexto deixa claro que não é hora de o Banco Central subir a Selic, o que seria excessivo em termos de controle da inflação e apenas traria restrições adicionais ao crescimento econômico, se convertendo em menor bem-estar para a população. Pelo contrário, o foco deve ser a consolidação dos elementos capazes de pavimentar o caminho de retomada dos cortes na taxa de juros, para que ocorram o quanto antes, criando um ambiente mais favorável para a execução de projetos fundamentais para a modernização da matriz produtiva brasileira”, completa Ricardo Alban.

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