Trump ameaça Zelensky com "grandes problemas" após impasse sobre acordo de minérios
Presidente dos EUA endurece tom contra líder ucraniano e exige reembolso da ajuda bilionária com recursos minerais
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o discurso contra o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, por conta de um impasse envolvendo um acordo sobre minérios raros. Segundo reportagem da agência Reuters, Trump acusou Zelensky de tentar recuar em relação à proposta mais recente apresentada por Washington, considerada significativamente mais dura do que o rascunho anterior.
“Zelensky, aliás… estou vendo que ele está tentando sair do acordo dos minérios raros, e se ele fizer isso, vai ter problemas – grandes, grandes problemas”, disse Trump a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One, no último domingo. “Fizemos um acordo sobre os minérios raros. E agora ele está dizendo: ‘Bem, sabe, eu quero renegociar’... Se ele estiver querendo renegociar o acordo, vai ter grandes problemas.”
Acordo mais rígido e exigência de reembolso
A nova versão do acordo, segundo a Reuters, prevê que os Estados Unidos recuperem toda a ajuda fornecida à Ucrânia desde a escalada do conflito com a Rússia em 2022 — estimada oficialmente em mais de US$ 123 bilhões, embora Trump alegue que o custo real para Washington tenha ultrapassado US$ 300 bilhões. Além disso, a proposta impõe um juro anual de 4% sobre o valor total antes que Kiev possa ter acesso a qualquer lucro proveniente do fundo conjunto de extração mineral.
Trump tem reiterado a exigência de que a Ucrânia pague a dívida com os EUA por meio da exploração de suas riquezas minerais, especialmente os chamados rare earths (terras raras), que são estratégicos para tecnologias avançadas. Esse tema tem sido central em sua retórica sobre o financiamento da guerra e da ajuda externa.
Conflito anterior e suspensão de ajuda
O rascunho anterior do acordo, mais brando, deveria ter sido assinado no início de março, mas foi retirado após um confronto público entre Zelensky e Trump, além do vice-presidente J.D. Vance, durante uma reunião no Salão Oval. Na ocasião, a tensão escalou a ponto de Trump suspender temporariamente toda a ajuda militar e o compartilhamento de inteligência com Kiev.
Diante do bloqueio, Zelensky indicou disposição para retomar as negociações, mas reforçou que “a Ucrânia não deve nada” aos Estados Unidos. Na sexta-feira, ele confirmou o recebimento da nova proposta, afirmando que “há muitas coisas que não haviam sido discutidas antes. E também há coisas que as partes já haviam rejeitado”.
Rejeição à entrada da Ucrânia na Otan
Durante as declarações no Air Force One, Trump também voltou a se opor frontalmente à entrada da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). “Ele quer ser membro da Otan, mas ele nunca será um membro da Otan”, afirmou o presidente americano. “E ele entende isso”, completou.
Pressão geopolítica e incertezas
O endurecimento da posição dos EUA em relação à Ucrânia, sob a liderança de Trump, pode redefinir os rumos da guerra e da aliança ocidental com Kiev. A cobrança por compensações financeiras e o uso dos minérios como moeda de troca expõem a fragilidade da relação bilateral, agravada por interesses estratégicos e econômicos.
Com a campanha eleitoral em curso nos Estados Unidos e a permanência do conflito no Leste Europeu, o futuro da aliança entre Washington e Kiev permanece incerto — e cada declaração de Trump parece elevar ainda mais a tensão.
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