André Esteves elogia governo Trump, mas critica tarifas comerciais e restrições a imigrantes
Banqueiro afirma que política econômica dos EUA seria "perfeita" sem tarifas e retrocessos protecionistas
247 – O banqueiro André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, analisou a política econômica dos Estados Unidos sob Donald Trump, destacando aspectos positivos da agenda de desregulação e redução de impostos, mas criticando a imposição de tarifas comerciais. A fala do banqueiro foi reportada pelo Valor e repercutiu entre economistas e investidores.
“Governo eficiente, que vai cortar custos do governo, impostos, desregulamentar a economia, promover a paz global, só tem a tarifa para dar uma estragadinha. Mas o resto está perfeito”, afirmou Esteves. Para ele, as tarifas de importação representam um retrocesso econômico, remetendo aos tempos em que a principal fonte de receita dos EUA era baseada em tributos sobre o comércio exterior.
O banqueiro minimizou as preocupações sobre a personalidade instável de Trump e sugeriu que sua postura pode ter um efeito estabilizador no cenário internacional. “Quando o ‘saloon’ está muito bagunçado, quando entra alguém assim com uma estrela no peito, a coisa tende a se acalmar”, comentou, numa analogia com filmes de faroeste.
Críticas a tarifas e política imigratória
Apesar dos elogios ao governo republicano, Esteves condenou o protecionismo e a elevação de tarifas comerciais. Ele destacou que o livre comércio impulsionou o desenvolvimento econômico dos EUA e que a atual estratégia de Trump representa um passo atrás. “Não concordo com isso, acho que a gente retrocedeu a um passado que era pior do que agora”, disse.
A política migratória também foi alvo de críticas. “Claro que tem uma imigração ilegal, um excesso que tem que ser combatido. Por outro lado, é uma sociedade baseada na imigração, mais ou menos como no Brasil. A imigração só fez bem aos Estados Unidos”, argumentou.
Riscos inflacionários e impactos no Brasil
O economista Thiago Berriel, ex-diretor do Banco Central e estrategista da gestora do BTG Pactual, alertou para os riscos inflacionários das medidas econômicas de Trump. “Houve um período de crescimento alto e inflação mais baixa do que era esperada em salários por causa do excesso de mão de obra, por conta da imigração. Se reverter isso, vai ser um choque contrário, com mais inflação e menos atividade”, explicou.
Bruno Funchal, ex-secretário do Tesouro e CEO da Bradesco Asset Management, concordou com a análise, destacando que as tarifas de importação podem pressionar os preços internos e reduzir a competitividade das empresas americanas. “Se seguir ‘a valor de face’ a narrativa de Trump durante a campanha eleitoral, o combo é mesmo inflacionário”, afirmou.
Já Bruno Serra, ex-diretor do BC e gestor da Itaú Asset, observou que os EUA saíram de um cenário de crescimento acelerado para uma “excepcionalidade exacerbada”, o que pode reduzir a potência de expansão econômica no médio prazo. Para ele, o Brasil, com sua economia ainda relativamente fechada, surfou pouco o aumento do comércio global, e os efeitos das políticas de Trump devem ter impacto limitado por aqui.
As declarações de Esteves e dos economistas refletem um consenso de que, apesar dos benefícios da agenda pró-mercado nos EUA, os riscos do protecionismo e das restrições à imigração podem comprometer o crescimento e pressionar a inflação global nos próximos anos.
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